09 março 2016

O Empirismo e seus Representantes

Para o empirismo, todo conhecimento é baseado na experiência que provém dos sentidos.  É uma corrente filosófica para o qual a experiência é critério ou norma de verdade. Em geral, essa corrente caracteriza-se: 1) negação do caráter absoluto da verdade; 2) reconhecimento de que toda verdade pode e deve ser posta à prova, no sentido de corrigi-la ou abandoná-la. Nesse caso, o empirismo não se opõe à razão, a não ser a cega. (Abbagnano, 1970)

John Locke (1632-1704) foi quem formulou os fundamentos dessa filosofia. Ele dizia que "[...] nosso conhecimento nunca pode ir mais longe do que nossas ideias". Para Locke, “A mente limita-se a reelaborar sob forma de abstração crescente dados e observações que recebe do exterior, segundo a fórmula empirista nada existe no intelecto que não tenha antes passado pela percepção”. Resumo do seu pensamento: Os racionalistas acreditam que nascemos com algumas ideias e conceitos: os que são "inatos". ==> Mas isso não é confirmado pelo fato... ==> ... de que não há verdades encontradas em todos nós no nascimento. ==> ... de que não há ideias universais encontradas em pessoas de todas as culturas, em todos os tempos. ==> Tudo o que sabemos é adquirido a partir da experiência.

George Berkeley (1685-1753) é considerado idealista e se baseia numa filosofia imaterialista. Para ele, o conhecimento empírico não assegura que fora de nossas percepções exista uma realidade material. "Os objetos existem na medida em que os percebemos, mas não possuem qualidades independentes dessa percepção". Resumo do seu pensamentoTodo conhecimento vem da percepção. ==> O que percebemos são ideias, não coisas em si. ==> Uma coisa em si deve estar fora da experiência. ==> Então o mundo consiste apenas em ideias... ==> ... e mentes que percebem essas ideias. ==> Uma coisa só existe na medida em que ela percebe ou é percebida.

David Hume (1711-1776) vai mais longe em sua radicalização do empirismo e aproxima-se do ceticismo, pois critica os objetivos das relações de causa e efeito. "Essas relações derivam do costume e o conhecimento empírico não pode garantir no fundo a existência do mundo exterior, embora estejamos obrigados a acreditar nele". Resumo de seu pensamento: Vejo o sol nascer toda manhã. ==> Adquiro o hábito de esperar o sol nascer toda manhã. ==> Aprimoro isso no julgamento "o sol nasce toda manhã". ==> Esse julgamento não pode ser uma verdade de lógica, pois é concebível que o sol não nasça (ainda que altamente improvável). ==> O julgamento não pode ser empírico porque não posso observar o nascer futuro do sol. ==> Não tenho fundamento racional para minha crença, mas o hábito me diz que ela é provável.==> O hábito é o grande guia da vida.

Thomas Hobbes (1588-1679) defende que a origem do conhecimento está na experiência. Sua teoria sobre a origem do estado baseia-se no contrato social e não no direito divino. Seu pensamento não é apenas político; tem também uma vertente lógica e gnosiológica que dá sustentação à ciência moderna. A filosofia política de Hobbes tornou-se famosa pela sua obra Leviatã, ou a matéria, a forma e o poder de um estado eclesiástico e civil (1651). Enquanto na Bíblia, o Leviatã é um monstro que convém não despertar, na obra de Hobbes, o Leviatã é o estado, o "deus mortal" que evita a guerra civil. Resumo de seu pensamento: Nada sem substância pode existir. ==> Então tudo no universo é físico. ==> Um ser humano é, portanto, inteiramente físico. ==> O homem é uma máquina.

Bibliografia Consultada

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.

VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.


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O Racionalismo

Racionalismo. Doutrina que privilegia a razão como fundamento de todo conhecimento possível. Segundo Hegel: "Aquilo que é racional é real, e o que é real é racional". Contrário ao empirismo, que valoriza a experiência, e ao fideísmo, que valoriza a revelação religiosa. Filosoficamente, pode ser uma visão de mundo quando afirma o acordo entre o racional e a realidade do universo quanto uma ética que afirma que as ações dos seres humanos são racionais em seu princípio, em sua conduta e em sua finalidade.

O racionalismo começa com Descartes (1596-1650). Será desenvolvido mais tarde por Spinoza e Leibniz. Descartes ficou famoso pelo "penso, logo, existo", conclusão sintética da aplicação do seu método, denominado dúvida hiperbólica. Primeiramente, nega qualquer conhecimento anterior (tradição). Depois, fazendo uso de sua razão, busca alguma coisa fora da tradição, qualquer coisa que resista a todas as dúvidas. Quer assentar o seu método numa verdade contra a qual nenhuma dúvida, a mínima que seja, possa pairar.

Baruch Spinoza (1632-1677) dá prosseguimento ao racionalismo. Partindo do dualismo da mente e da matéria concebido por Descartes, formula o seu panteísmo pelo qual se postula uma única ordem racional, uma identificação entre o ser de Deus e o ser do mundo. Resumo do seu pensamento: Há apenas uma única substância. ==> Tudo que existe é constituído dessa substância única. ==> Essa substância é "Deus" ou "natureza". ==> Ela fornece tudo em nosso Universo com seu... ==> ... processo de formação. ==> ... seu propósito. ==> ... sua forma. ==> ... e sua matéria. ==> Desses quatro modos, Deus é a "causa" de tudo.

Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) é outro representante do racionalismo. Em carta a Samuel Clark, ele diz: "Nada acontece sem que haja uma razão suficiente para ser assim e não de outro modo". É dele a teoria da mônadas, substâncias sem extensão. De acordo com o seu pensamento, "não há dualismo da mente e da matéria, mas antes uma escala (quase evolutiva) entre os seres da natureza, coroada por Deus, mônada das mônadas, no padrão de uma harmonia preestabelecida". Resumo do seu pensamentoToda coisa no mundo tem uma noção distinta. ==> Essa noção contém toda verdade sobre essa coisa, incluindo sua conexão com outras coisas. ==> Podemos analisar essas conexões por meio da reflexão racional. ==> Quando a análise é finita, podemos alcançar a verdade final. ==> Essas são as verdades da razão. ==> Quando a análise é infinita, não podemos alcançar a verdade final pela razão, somente pela experiência. ==> Essas são as de fato.

Blaise Pascal (1623-1662) é também arrolado dentro do racionalismo. No entanto, ele diz: "O coração tem razões que a razão desconhece". Pascal contesta a tese de que a razão filosófica possa alcançar uma certeza total. Segundo seu ponto de vista, "Há dois excessos: excluir a razão, não admitir mais do que razão". Resumo do seu pensamentoA imaginação é uma força poderosa no ser humano. ==> Ela pode ultrapassar nossa razão. ==> Mas pode levar a verdades ou falsidades. ==> Podemos ver beleza, justiça ou felicidade onde elas não existem realmente. ==> A imaginação nos desvia do caminho.

A razão deve sempre ser ativada, pois sem ela seríamos marionetes nas mãos dos outros. Convém, contudo, colocá-la dentro dos seus estritos limites, para não cairmos nos desmandos da inteligência.  

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.

VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.

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02 março 2016

O Renascimento

O Renascimento é o período da história que vem depois da Idade Média. É uma tentativa de voltar aos clássicos da Antiguidade, ou seja, a Sócrates, Platão, Aristóteles e outros. O humanismo, um dos fenômenos mais importantes desse novo pensamento, significa uma rebelião contra a escolástica e a tudo o que era ensinado nas universidades da época. Esse movimento intelectual visou essencialmente à reforma da teologia e da religião cristã. Quanto ao ser humano, desprezaram o sobrenatural e deram ênfase ao natural.

A vinda do Renascimento recobrou a filosofia platônica, mas de um Platão reinterpretado de modo diferente daquele que era feito pela tradição agostiniana e neoplatônica da Idade Média. Os pensadores dessa época querem conciliar a filosofia platônica e o cristianismo, mas essa conciliação se torna ambígua, pois o cristianismo depende de uma revelação, em que o homem é um ser corrompido que necessita de redenção da graça para se libertar de sua natureza abjeta. Como fazê-lo somente pela razão? Além disso, "os platônicos do Renascimento exaltam também a natureza como uma fonte de conhecimento autêntico de Deus. Esse anseio contemplativo, no entanto, está mais próximo do misticismo teosófico do que da filosofia natural ou da ciência da natureza que se desenvolverá posteriormente".

Erasmo de Rotterdam (1460-1536), o humanista de maior prestígio em toda a Europa, diante dos grandes descobrimento geográficos e os notáveis avanços técnico-científicos, exprime, em 1517, o seguinte pensamento: "vejo uma idade de ouro no futuro próximo". Quer dizer, os referidos avanços promoveriam os ideais de tolerância e concórdia entre todos os seres humanos autônomos. Este sonho não se torna real, pois o que se vê são as frequentes guerras entre os adeptos da várias religiões.

Franscesco Petrarca (1304-1374), considerado o pai do "iluminismo", que proclama o conhecimento rigoroso como um ideal, Thomas More (1478-1535), que pede uma volta à cristandade, Erasmo de Rotterdam (1469-1536), com o seu sonho da idade de ouro, Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e Ulrich Zwingli (1484-1531), que separam definitivamente os âmbitos da razão e da fé e Montaigne (1533-1592), com o seu "que sais-je?" ("o que é que eu sei?") são alguns dos representantes do período renascentista.

O humanismo, que considera o homem um ser autônomo, faz uma crítica ao duplo poder temporal e espiritual do papado. Quem melhor compreende e teoriza esse estado de coisas é Maquiavel que, no seu livro O Príncipe, descreve as várias atuações dos governantes. Daí, o termo pejorativo "maquiavélico", aquele que está sempre disposto a levar vantagem em tudo o que faz, não importando por quais meios. Resumindo: O sucesso de um Estado ou de uma nação é o fim supremo. ==> Quem quer que governe o Estado ou nação deve lutar para assegurar ==> sua própria glória ==> e o sucesso do Estado. ==> A fim de realizar isso, ele não pode ser limitado pela moralidade. ==> Os fins justificam os meios.

O Renascimento foi, nada mais nada menos, do que o desabrochar de uma cultura que estava incubada, a cultura greco-romana.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.


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