08 fevereiro 2012

A Filosofia Segundo Alguns Filósofos


Para Sócrates, a filosofia assemelha-se ao ofício da parteira. Sua tarefa não é propor afirmações verdadeiras, mas favorecer o nascimento da verdade na alma do interlocutor. Para atingir esse objetivo, usa a maiêutica e a ironia, um trabalho investigativo, baseado no colóquio individual, na arte de escutar e de objetar, visando abalar as defesas intelectuais preestabelecidas.

Para Platão, a tarefa do filósofo é posta em forma de metáforas, extraídas do Mito da Caverna. A caverna escura é o nosso mundo; os escravos acorrentados são os homens; as correntes são as paixões e a ignorância; as imagens ao fundo da caverna são as percepções sensoriais; a aventura do escravo fora da caverna é a experiência filosófica; o mundo fora da caverna corresponde ao mundo das ideias, o único, verdadeiramente; o Sol que ilumina o mundo verdadeiro é a ideia do Bem, que conduz ao conhecimento; o regresso do escravo é o dever do filósofo de envolver a sociedade na experiência da verdade; a incapacidade do escravo em readaptar-se à vida na caverna é a inadequação dos filósofos; o escárnio do escravo é o destino reservado ao escravo; a morte final do escravo-filósofo é a morte de Sócrates

Para Aristóteles, o desejo de conhecer nasce do assombro diante do mundo. Acha que todo o tipo de conhecimento produz uma sensação de prazer. Afirma que mesmo antes de existir a filosofia os homens já filosofavam, porque não se pode viver sem questionar o mundo que nos cerca. Diz, também, que a reflexão filosófica é uma atividade desinteressada; por isso, é necessário que o homem resolva os problemas de sobrevivência antes de se dedicar a esta prática.

Para Kant, o conhecimento é condicionado por esquemas mentais preexistentes no sujeito.  Esse paradoxo pode ser ilustrado com uma metáfora de ordem jurídica: “em um tribunal em que o juiz e o imputado são a mesma pessoa, a razão, se se quiser estabelecer quais são os próprios limites da ação, deve chamar-se em juízo e analisar a si mesma para verificar os limites da própria legalidade – ou seja, determinar como e quando se produz um conhecimento verdadeiro e quando, ao contrario, o erro”.

Para Hegel, a filosofia não deve imaginar como o mundo deveria ser, mas limitar-se a explicá-lo. "Ela sempre chega depois, quando a realidade já se constituiu, assim como a coruja de Minerva só levanta voo no crepúsculo, quando o dia já terminou. A sua tarefa, portanto, é meramente interpretativa e foram absurdas as tentativas dos filósofos que procuraram estabelecer como a realidade deveria ser. O problema é entender aquilo que é, fazer emergir da realidade o conteúdo racional, pois a realidade mesma já é per se razão. 

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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