30 setembro 2011

Os Cuidados com a Comunicação de Massa

“O que aparece é bom, o que é bom aparece”.
Guy Debord, em A Sociedade do Espetáculo

A comunicação de massa é o oposto do conhecimento. Tem mais a função de obscurecer as mentes e extinguir consciências. É onde reina a performance populista. A simplificação, os apelos emocionais e a repetição de slogans dão-lhe um colorido todo especial. É inimiga das ideias, pois a sua banalização derruba o aspecto conceitual em favor do emocional.

Mario Perniola usa o neologismo “Sensologia” para descrever a transformação da ideologia numa nova forma de poder, que acredita ter um consenso plebiscitário fundado em fatores afetivos e sensoriais.

Para mais informações, leia o livro Contra a Comunicação, de Mario Perniola, pela Editora Unisinos, do Rio Grande do Sul.
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28 setembro 2011

Pecados Capitais


Estamos acostumados a repetir que os pecados capitais são sete: o orgulho, a avareza, a luxúria, a inveja, a gula, a cólera e a preguiça.

Comte-Sponville, em seu Dicionário Filosófico, atualiza essa lista, nos seguintes termos: o egoísmo, a crueldade, a covardia, a má-fé, a suficiência, o fanatismo e a tibieza.

Mas, afinal, o que se entende por pecado capital? Ele é o mais grave? Não. Pecado capital (capital vem do latim caput, cabeça) é o pecado que vem à frente, o pecado que vem em primeiro lugar. Os outros derivam dele (no caso, deles).

Para mais informação, consultar:

COMTE-SPONVILLE, André, André. Dicionário Filosófico. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
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21 setembro 2011

Filosofia é Amor à Sabedoria?

Jean-Joël Duhot, no capítulo 4 da segunda parte, “O Filósofo e os Sofistas”, do livro Sócrates ou o Despertar da Consciência, acha que houve um erro de tradução no “amor à sabedoria”. Sophia não significa “sabedoria”, como também sophos não quer dizer “sábio”.

Explicação: Na Grécia da Antiguidade, conhece-se o xamã, mas não o sábio. Geralmente, phronesis (prudência) e sophrosyne (moderação, temperança) são os dois termos traduzidos às vezes por “sabedoria”. Trata-se, pois, da sabedoria prática.

A sophia é a habilidade, o saber-fazer, o saber em sentido geral, e o sophos é o homem hábil ou que sabe.
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14 setembro 2011

Ceticismo e Termos Correlatos

O ceticismo é a doutrina filosófica que tem a dúvida como carro-chefe. Apregoa que o conhecimento do real é impossível à razão humana. Nesse caso, devemos renunciar à certeza, suspender o juízo e submeter toda afirmação a uma dúvida constante.

Há dois tipos céticos: 1) o sistemático; 2) o moderado. O cético sistemático sustenta a impossibilidade da razão humana de conhecer as coisas; por isso, duvida de tudo. O cético moderado inclui a dúvida em seu método de pesquisa (muito usado pelos cientistas).

Alguns de seus termos correlatos: dogmatismo, agnosticismo, crítica e crise. O dogmatismo admite a capacidade de o homem atingir a certeza absoluta. Desta maneira, opõe-se ao ceticismo (que não admite tal possibilidade). Lembremo-nos de que os grandes filósofos (na sua maioria) são dogmáticos. Por quê? Quem pode duvidar da demonstração de um teorema, da exatidão de uma fórmula matemática, ou mesmo do próprio existir?

O agnosticismo é uma versão do ceticismo radical, pois nega a possibilidade de se conhecer os fatos como eles realmente são. Na religião, é a suspensão de toda crença religiosa. Diz-se, inclusive, que o agnóstico é um ateu envergonhado que tem medo de ser acusado de dogmático.

A crítica é um termo ambíguo, pois comporta uma interpretação filosófica (espírito crítico) e uma pejorativa (voltada para os defeitos). Deveríamos, assim, duvidar com o espírito crítico e não com o espírito de crítica. O espírito crítico avalia, sopesa, pondera, busca argumentos lógicos para a sua decisão. O espírito de crítica está sempre pronto a criticar por criticar.

Crise. Na antiguidade correspondia à fase terminal de uma doença. Hoje, significa um momento de desequilíbrio sensível. Fala-se, assim, da “crise do determinismo”, “crise do Ocidente” do século XX. Em Economia, há a crise por insuficiência de produção (crise de 1929) e crise por superprodução.

Resumindo: o ceticismo, fundamentando-se na dúvida, leva-nos ao dogmatismo, ao agnosticismo, à crítica e à problematização da certeza (que tínhamos dos conhecimentos adquiridos ao longo do tempo).
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09 setembro 2011

Sócrates como "Parteira"

Como Sócrates, sendo um sofista, combateu os sofistas?

O termo “sofista” não é uma corrente de pensamento; designa, antes, uma atividade profissional: os professores. Os sofistas ganhavam muito dinheiro vendendo saberes; Sócrates afirma nada saber. Nesse caso, não tem nada para vender.

A concepção de conhecimento, em Sócrates, dá-se pela maiêutica. Na maiêutica, Sócrates apresenta-se como uma parteira (ofício de sua mãe), mas no sentido metafórico, ou seja, faz os homens parirem conhecimento.

Em certa passagem do Teeteto, ele diz: “Deus me força a fazer os outros darem à luz, mas me proíbe de parir”. Sócrates faz os discípulos fazerem incríveis progressos sem nada lhes ensinar. Este era o grande segredo de Sócrates: as pessoas ficavam engravidadas de conhecimento somente pela frequentação do seu mestre.


DUHOT, Jean-Joël. Sócrates ou o Despertar da Consciência. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004, segunda parte, cap. 3.
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Ascensão da Alma em Sócrates

Para o ser humano elevar-se à divindade, o Sócrates de Platão estipula três meios: a dialética, as matemáticas e o amor.

  • A dialética elimina os erros, abala as certezas e enaltece a dúvida.
  • As matemáticas servem para passarmos do sensível ao inteligível, do múltiplo ao Uno.
  • O amor produz a dinâmica ascensional da alma.
DUHOT, Jean-Joël. Sócrates ou o Despertar da Consciência. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004, p. 114.
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