26 agosto 2010

Frases e Pensamentos

"O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem - uma corda sobre um abismo."
Friedrich Nietzche, Assim Falou Zaratustra

"Os filósofos... são irresistivelmente tentados a fazer e responder perguntas à maneira da ciência."
Ludwig Wittgenstein, O Livro Azul

"Os mais sábios têm a maior autoridade."
Atribuído a Platão

"O modo mais seguro de se caracterizar a tradição filosófica europeia é afirmar que ela consiste numa série de notas de rodapé a Platão."
Alfred North Whitehead

"A filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento de nossa inteligência por meio da linguagem."
Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas

"A vida não examinada não merece ser vivida."
Atribuído a Sócrates

"Não deveríamos fingir fazer filosofia, e sim realmente fazê-la, pois precisamos não da aparência de saúde, mas de saúde verdadeira."
Epicuro

"Todo homem, por natureza, deseja saber."
Aristóteles

"Sou um cidadão do mundo."
Diógenes

"Deves aceitar a verdade de onde quer que ela venha."
Moisés Maimônides

"Ousa pensar."
Immanuel Kant

"Se buscas realmente a verdade, deves ao menos uma vez em tua vida duvidar, tanto quanto possível, de todas as coisas."
Descartes, Discurso do Método

"Se eu quisesse duvidar de que isto é minha mão, como poderia evitar duvidar de que a palavra 'mão' tem algum sentido."
Ludwig Wittgenstein, Sobre a Certeza

"Topos os objetos da razão ou da indagação humanas podem ser divididos em dois tipos ... relações de ideias e questões de fato."
David Hume, Investigação acerca do Entendimento Humano

"Não seria possível ... eu ter em mim a ideia de um Deus, se Deus não existisse realmente."
René Descartes, Meditações

"A felicidade é o único fim da ação humana."
John Stuart Mill, O que é o Utilitarismo

"A mente ... deve se desviar do mundo da mudança (e dos sentidos) até que seus olhos possam ... encarar diretamente a realidade."
Platão, A República

"Sabores, cores e cheiros só existem no ser que sente."
Galileu Galilei, O Ensaiador

"Direita parece como esquerda e vice-versa porque os raios visuais entram em contato com os raios emitidos pelo objeto de uma maneira contrária à usual."
Platão, tentando explicar a inversão operada pelos espelhos, no Timeu

"Antes ser um homem insatisfeito que um porco satisfeito."
John Stuart Mill, Sobre o Utilitarismo

"Leis morais têm de se aplicar a todo ser racional como tal."
Kant, Fundamentos da Metafísica dos Costumes

"Aquilo na alma que é chamado de mente não é, de fato, ante que pense, algo real."
Aristóteles, Tratado da Alma

"Duas coisas enchem de ... assombro e reverência ... O céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim."
Immanuel Kant, Crítica da Razão Prática

"Ações humanas nunca podem ser explicads pela razão, mas são inspiradas inteiramente pelos sentimentos."
David Hume, Investigação sobre os Princípios da Moral
Extraído de: LAW, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Tradução de Maria Luiza X de A. Borges. 2. ed., Rio de Janeiro: Zahar, 2009.
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11 agosto 2010

Fenomenologia do Ethos

Fenomenologia é definida como "um estado puramente descritivo dos fatos vividos de pensamento e de conhecimento". Ethos (grego), e sua tradução mores, em latim, embora tomando sentidos diversos na política, na moral e na música, significa caráter, comportamento, valores e costumes. Juntando os dois termos, diremos que fenomenologia do ethos é a descrição do comportamento, do caráter e dos valores éticos do ser humano. Nesse caso, há uma infinidade de aspectos a serem considerados. Vejamos alguns.

Em termos políticos, o ser humano tem necessidade de moradia, saúde, alimentação e infra-estrutura. O Estado tem o dever de lhe prover o bem comum, que implica a distribuição justa dos recursos públicos. Na tirania, a busca do bem comum já está comprometida. Na democracia, os políticos podem atender a esse objetivo segundo um ethos autêntico ou um ethos demagógico.

O ethos retórico trata, em linhas gerais, das qualidades do orador perante o público. Quando se fala do ethos do discurso, fala-se da persuasão pelo caráter (= ethos) do orador. O discurso tem uma natureza que confere ao orador a condição de ser digno de fé. São os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório (pouco importa a sua sinceridade). O ethos, muito mais que o logos, é bastante útil ao orador, principalmente ao orador político, que procura agradar mais pela emoção do que pela razão.

Em termos morais, há diversas opiniões sobre o que consiste o bem a-fazer o o mal a-evitar. Uns acham que obedecendo a Deus, já estamos praticando o bem; outros, que crer ou não em Deus tem pouca relevância. No fundo, contudo, há um acordo, ou seja, aquele que diz respeito ao procedimento autenticamente humano, aquele que não pode ser anti-humano, que é “fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito”.

A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. Assim, não é agir de qualquer jeito, mas de forma ordenada, generosa, que promova a pessoa e os direitos do outro, sobretudo quando esses direitos são espezinhados.

O ethos espírita está embasado nos ensinamentos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. O comportamento ético-espírita só pode fixar-se e expandir-se em terra fértil. Para isto, o adepto do Espiritismo deve, em primeiro lugar, limpar, adubar e regar o “terreno interior”, a fim de criar condições favoráveis de receber a semente evangélica para, posteriormente, fazê-la frutificar cento por um.

O estudo do ethos, como dissemos, leva-nos para uma infinidade de reflexões: escolhamos aquelas que possam aumentar a nossa capacidade de compreender a nós mesmos e ao mundo que nos rodeia.
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04 agosto 2010

Sócrates Foi um Verdadeiro Filósofo

De acordo com Platão, Sócrates era um mágico, um feiticeiro, um xamã. Mênon, Alcibíades e Aristófanes relataram que ficavam drogados, extasiados diante do mestre. As palavras de Sócrates enfeitiçavam-nos de tal modo que todos eles temiam perdê-lo, pois estava se aproximando a hora de sua partida, notadamente com a ingestão da cicuta.

Sócrates dizia-se guiado pelo seu demônio, seu guia protetor. Ele não lhe pedia autorização para fazer isso ou aquilo, mas recebia avisos deste quando fosse desviar-se do verdadeiro caminho, do caminho da verdade. Descartes, o autor do discurso do método, defensor do racionalismo, teve como ponto de partida três sonhos premonitórios, que lhe alertaram para o seu trabalho lógico.

Sócrates foi um filósofo, um verdadeiro filósofo, pois não tinha receio de contrariar os seus pares. Além do mais não cobrava pelas suas elucidações. E sabia diferenciar as questões de ciência das questões de filosofia. A ciência tenta explicar os meios; a filosofia, os fins. A ciência faz hipóteses, observa e conclui através dos objetos sensíveis, especialmente pela experimentação; a filosofia não, a filosofia está preocupada com o fim, com os valores, principalmente os valores do bem, do belo e do justo.

Se levarmos em conta os seus ensinamentos, somente os filósofos são verdadeiramente livres, porque nada fazem para tirar proveito próprio. Os políticos, os cientistas e os demais seres humanos, ao contrário, almejam poder para tirar alguma vantagem. Nesse caso, eles não podem ser considerados totalmente livres.

Sócrates foi um filósofo autêntico, pois vivia de acordo com o que pensava e influenciou muito mais pelo exemplo do que pelos seus discursos.

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