30 junho 2010

Funcionamento da Mente Segundo Alguns Filósofos

Para Aristóteles, há uma hierarquia dos seres vivos baseada na capacidade de conhecimento. Nos animais, que só têm sensibilidade, há pouco conhecimento. Nos seres humanos, que têm memória e faculdades intelectivas, as quais permitem experimentar, ou seja, fazer ciência, a possibilidade de conhecer é infinitamente superior.

Para Campanella, na Cidade do Sol, o sistema didático baseia-se nos sete círculos de muralhas. Cada uma delas é marcada com representações (figuras) referentes ao inteiro conhecimento humano. Basta que uma criança vá observando as figuras, e o conhecimento vai lhe penetrando sem esforço.

Para Descartes, uma ideia é verdadeira quando ela se apresenta a nossa intuição com todas as características da evidência (modalidade psicológica pela qual a mente representa a si mesma certas verdades como claras e distintas, certas e inopináveis). Sendo clara em si mesma, é dotada de um grau de certeza, e não tem necessidade do filtro da razão, imposto pela dúvida metódica.

Leibniz, ao tratar da Mônada, afirma que a consciência não é um ingrediente necessário ao pensamento e à sensação. Ele diz que há percepções tão pequenas que não podem ser compreendidas pela consciência, mesmo agindo sobre os órgãos dos sentidos. Exemplo: acostumar-se com um ruído faz com que ele não seja mais notado.

Locke, polemizando com Descartes, demonstra com argumentos extraídos da experiência a inexistência de ideias inatas: as crianças, os loucos e os selvagens não possuem qualquer ideia de Deus. Daí, afirmar que não há nada inato no ser humano, pois tudo provém da experiência. Para ele, o ser humano nasce como se fosse uma tabula rasa, ou seja, um papel em branco sobre o qual a prática do mundo externo e a reflexão do sujeito imprimirão o conhecimento. Com isso, demonstra ser falsa a teoria de que as ideias claras e distintas precedem a experiência.

Para Kant, a mente deve criticar a si mesma, estabelecendo um limite para o seu raio de ação. Ele acha que a mente tem uma tendência para ir além dos seus limites, havendo necessidade de se impor um controle. Há, no ser humano, um impulso instintivo de ultrapassar o âmbito da experiência verificável para formular conjecturas hipotéticas e doutrinas metafísicas.

Freud, através da sua teoria do complexo de Édipo, sintetiza a sexualidade pervertida da criança: inconscientemente, o garoto sente atração sexual pela mãe; a garota, pelo pai.

Para Bérgson, a intuição é o instinto da inteligência. Ele acha que não podemos afirmar a superioridade da inteligência em relação ao instinto: existem coisas que somente a inteligência é capaz de buscar, mas por si só não encontrará nunca; somente o instinto poderia descobri-la, mas não as buscará nunca.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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16 junho 2010

O Uno, o Múltiplo e as Religiões

Ao longo do tempo, os filósofos e os diversos pensadores da humanidade têm feito reiterados esforços para conciliar o uno com o múltiplo. Nesse sentido, pregam que uma abordagem racional da vida exige que o ser humano preste atenção no pluralismo baseado no princípio da contradição. O problema surge quando o Deus de uma religião resiste à aceitação do Deus de outra religião. Quantas não foram as guerras de fundo religioso?

Contrapondo-se às guerras, há os esforços para paz. A segunda Assembléia Mundial de Religiões, realizada em Chicago em 1993, declarou que não pode haver paz entre as nações se não houver paz entre as religiões. Em 24 de janeiro de 2002, ao terminar o Dia de Oração pela Paz no Mundo, os chefes religiosos presentes em Assis, a convite de João Paulo II, proclamaram um compromisso, denominado “Decálogo de Assis para a Paz”, em que se refuta a violência e se enfatiza a concórdia.

O pluralismo religioso é um fato. Não o podemos negar. Observe as religiões mundiais: todas elas são moderadamente fundamentalistas, pois cada uma delas se acha na posse da verdade. Somente por ela, o indivíduo terá condições de se salvar, de ir para o céu. Imaginemos um cristão: quer tenha consciência ou não, o adepto de outra religião também poderá ser salvo, mas somente por meio de Cristo ou através de uma ligação com a Igreja de Cristo.

Michael Amaladoss, em seu livro Promover Harmonia, reporta-se a três exemplos de conflitos das religiões: 1) lenço de cabeça islâmico nas escolas francesas; 2) crucifixo numa sala de aula da Baviera; 3) Uma islamita divorciada abandonada na índia. Todos esses casos geraram discussões sobre os limites da fé religiosa, obrigando o Estado a arbitrar sobre o que é uma questão laica e uma questão religiosa.

O apego à própria religião deve ser combatido. Cada um de nós deveria olhar além do próprio umbigo. O cristão poderia raciocinar da seguinte forma: quantos são os cristãos no mundo? Pelas estatísticas, aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas. Se somente Cristo salva, o que acontecerá com os outros 4 bilhões? Irão para o fogo do inferno? Não é uma incoerência?

Somente Deus é absoluto. A revelação divina pode nos ajudar a encontrar Deus, mas não é garantia para a verdade absoluta, pois a verdade não é monopólio de ninguém, mas patrimônio comum das inteligências.

Fonte de Consulta

AMALADOSS, Michael S. J. Promover Harmonia: Vivendo num Mundo Pluralista. Tradução de Nélio Schneider. Rio Grande do Sul, Unisinos, 2006.
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09 junho 2010

Pensamento e Fisiologia do Pensamento

Pensamento. A palavra pensamento é fácil de ser intuída, mas difícil de ser explicada com palavras. O pensamento é definido em termos das atividades mentais, como inteligência ou razão, em que são descartados os sentimentos e as volições. Liga-se também à atividade discursiva ou intuitiva. Fisiologia. Ciência que trata dos fenômenos vitais e das funções pelas quais se manifesta a vida. Parte da biologia cujo objeto é o estudo das funções dos organismos vivos, vegetais e animais.

A fisiologia do pensar diz respeito às relações matéria-espírito, corpo-alma, corpo-mente, matéria-consciência, físico-químico e, atualmente, mente-cérebro. Para Kant, a fisiologia do pensar resume-se em passar da sensação (estímulo desorganizado), para a percepção (sensação organizada), para concepção (percepção organizada) e para a ciência (conhecimento organizado).

A cultura grega deu ênfase à razão. A razão fazia o indivíduo raciocinar e aplicar-se ao conhecimento das virtudes. Acontece que o pensamento dos pré-socráticos e dos orientais não são interrogativos, mas poéticos-noemáticos, em que o racional é deixado em segundo plano. Mesmo assim, esses pensamentos poéticos-noemáticos não são superficiais, mas essenciais à própria elaboração do pensável.

A mente é vista como atividade ou processos mentais, em que estão presentes a consciência, a intencionalidade, a subjetividade e o caráter representacional. Para explicar a estrutura da mente há a teoria clássica das faculdades, em que se pressupõe hierarquia de poderes, ou seja, a inteligência e a vontade são superiores à imaginação, por exemplo. Presentemente, temos o construtivismo e o inatismo. No construtivismo, todas as estruturas mentais são construídas pelo sujeito com relação ao seu meio ambiente. No inatismo, a mente possui estruturas inatas que são ativadas em contato com o meio ambiente.

A ciência moderna tenta relacionar computador e cérebro. No computador, há a máquina (hardware), os programas (softwares).e a informação. Os programas usam a máquina para processar a informação. Analogamente, o cérebro é o hardware; as estruturas mentais, o software. O processamento das informações se dá de duas maneiras: modularidade e conexionismo. A tese da modularidade pressupõe que o cérebro funcione por “módulos independentes” e pelos “sistemas centrais”, tais como as relações entre os computadores independentes e o computador central. O conexionismo é a interpretação mais recente do funcionamento do cérebro. De acordo com esta teoria, o cérebro não processa a sua informação em série (uma operação depois da outra), mas simultaneamente, em paralelo.

Para o Espiritismo, o pensamento, como essência, é um atributo do Espírito, sinônimo de inteligência. Nesse caso, ele não pode ser considerado matéria. Acontece que também é usado no sentido material. Daí, alguma confusão. Os processos mentais entram em cena. Em vez de conceituá-los adequadamente, simplesmente dizemos que o pensamento é matéria e vamos tocando o barco. Sócrates, na antiguidade, já nos alertava sobre a necessidade bem definirmos os termos antes de iniciarmos uma discussão.

O pensamento, como inteligência, raciocínio e informação não é matéria. É simplesmente um atributo do Espírito, que é imaterial ou composto de alguma matéria ainda desconhecida por nós. Os processos mentais, que ocorrem no cérebro, possibilitam-nos o uso do termo fisiologia do pensamento, em que são considerados as vibrações, as radiações, os passes, a fotografia do pensamento e as emanações fluídicas.



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