21 março 2009

Viver em Comunidade

Aristóteles, em Ética a Nicômaco, trata de diversos temas, tais como, amizade, felicidade, justiça, igualdade e liberdade. Para ele, toda virtude ética possui também uma relação social. Dizia que o verdadeiro ser do ser humano é ser para o outro. Esta relação social caracteriza a comunidade, a pólis. Daí, a sua definição de que o ser humano é um animal social, devendo viver em sociedade. 

O elemento básico de uma comunidade é a necessidade. Ninguém é uma ilha; cada um precisa do outro. Assim, uma comunidade é composta de muitos caracteres; cada qual deve completar o que outro necessita. Nesse caso, tanto é importante o doutor quanto o lixeiro, o professor, o agricultor. Pergunta-se: como irá governar o presidente da república se não houver os serviços do lixeiro, do agricultor?

Para Aristóteles, a colaboração entre as pessoas só é possível mediante um intercâmbio justo. A justiça é fundamentada na cooperação entre as partes de um todo. O que reúne as pessoas são as necessidades e o fato de que sozinhas elas não são capazes de satisfazê-las. "Sem comunidade, não há sobrevivência; sem intercâmbio, não há comunidade; sem igualdade, não há intercâmbio". Uma cooperação libertadora só poderá ser garantida quando uma comunidade servir aos interesses de todos os envolvidos. Só quando se faz valer o bem a pólis permanece coesa.

Sem justiça não há comunidade, e a comunidade está a serviço do benefício, mesmo sendo o benefício comum. Mas a pessoa só consegue chegar a essa autoconsciência em conjunto com outras pessoas. A forma mais elevada de comunidade humana consiste no reconhecimento mútuo, no qual as pessoas desenvolvem uma auto-estima.

Para mais informações, consultar o livro de Friedo Ricken, O Bem-Viver em Comunidade: A Vida Boa Segundo Platão e Aristóteles, da editora Loyola.
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13 março 2009

Imaginação e Ação

"Vaguear em meio a elementos não-essenciais é comparável ao indivíduo que cai em um poço e lá fica sentado a imaginar qual o pé que escorregou primeiro, o direito ou o esquerdo. Tem de pensar na maneira de sair dali".

Os grandes pensadores da humanidade estão sempre nos exortando a mudar a nossa maneira de pensar, de imaginar o mundo, pois este é reflexo da maneira como o vemos. Eles falam: "Mude a sua atitude", "Mude o seu comportamento", "Mude a sua convicção". Eles sabem que não somos uma ilha e, qualquer mudança que fizermos em nosso comportamento, realinharemos todas as nossas condutas posteriores.

Mudar o estado mental exige esforços constantes. Se não tivermos confiança em nós, quem a terá? Se não tivermos coragem de enfrentar as lutas, quem o fará por nós? O individuo maduro quer o seu espírito voltado para o futuro. Seu principal interesse está em prever possibilidades. Dirigirá a vitalidade do espírito no sentido de moldar o mundo em formas mais apropriadas.

Escreveu Cícero, o antigo estadista romano: "Obedeço à natureza, como o guia mais seguro". Aprendamos, assim, a desafiar cada situação que nos incomoda. Aprendamos a combater a nosso favor mas nunca contra nós seja o que for. A natureza humana funciona melhor quando somos ativos. Quando expandimos os nossos interesses e conhecimentos, adquirimos certo sentimento de satisfação: quando os limitamos, sentimo-nos menos satisfeitos.

Rollo May, em A Busca do Homem para si Mesmo, sugere que nos coloquemos mentalmente no topo de uma montanha, e contemplemos a nossa vida dessa perspectiva ampla e ilimitada. Daí, diz ele: "Adquire-se o sentido de direção pela vista do alto do pico e esboça-se um mapa mental que serve de orientação durante semanas... ter tido tais vislumbres proporciona base de significação e direção para todas as nossas ações posteriores".

Em Segredos da Magia Mental, Howard Vernon, diz-nos que não é nunca o nosso dever: 1) darmos o que na verdade não desejamos dar; 2) sacrificarmos a nossa integridade pessoal a favor de outrem; 3) fazermos mais do que tenhamos tempo para realizar; 4) conservarmos relações desleais; 5) conformarmo-nos com pedidos desarrazoados; 6) procurarmos agradar a quem é desagradável; 7) suportarmos o ônus do mau comportamento de outrem; 8) desculparmo-nos por sermos o que somos.

Rebelemo-nos, assim, contra o nosso espírito negativo e criemos imagens saudáveis, para termos uma vida plena e satisfeita.
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Auto-Imagem

De acordo com Maxwell Maltz, auto-imagem é o resultado de nossos êxitos e fracassos, humilhações e triunfos, e da maneira como as outras pessoas reagem em relação a nós. Muitas vezes esta auto-imagem é falsa – mas agimos como se ela fosse verdadeira. Para todos os efeitos, ela passa a ser verdadeira. Exemplificando: se o fracasso profissional ronda a nossa esfera de ação, é possível que nos sintamos inúteis a tudo que nos cerca. Contudo, isto pode ser uma ilusão de nossa parte e não o fato em si.

A auto-imagem pode ser medida: são as roupas que vestimos, os gestos que fazemos, as posturas que adotamos. Ela não é estanque. Significa que podemos mudá-la. Roupas desleixadas podem formar uma imagem negativa de nós mesmos. Se nos esforçarmos em andar alinhado, com certeza iremos mudar a imagem que as pessoas fazem de nós. Este exemplo pode ser estendido para outros detalhes de nossa vida.

A suposta "verdade subjetiva" dificulta a mudança de nossa auto-imagem. Contudo, se alterarmos a nossa autoconcepção, poderemos encarar as coisas de maneira totalmente diferente. Napoleão Bonaparte, certa vez, disse: "A raça humana é governada pela imaginação". Urge, assim, rebelarmo-nos contra o nosso espírito negativo, irreal ou inviável. Ao contrário, procuremos construir auto-imagens saudáveis.

Os grandes pensadores da humanidade estão sempre nos orientando a mudar as nossas atitudes e os nossos comportamentos. Para a pergunta, como o indivíduo pode perder a escravidão e ganhar a liberdade, eles respondem: "Mude a maneira de pensar"; "Examine as suas crenças"; "Mude de atitudes"; "Verifique as premissas"; "Altere os pontos de vista"; "Desafie as suas hipóteses".

Não nos iludamos com a opinião alheia. A opinião não é uma verdade. Além do mais, cada um vê o mundo segundo os seus olhos. Vale mais a imagem (consciente) que fazemos de nós mesmos do que toda e qualquer crítica de um terceiro.

Primeiro o que vem primeiro; depois, o que vem depois. Invistamos o nosso tempo somente nas coisas essenciais e teremos mais tempo para cultivar a nossa alma imortal.
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06 março 2009

Karl Popper e suas Críticas

Karl Popper, em A Lógica das Ciências Sociais, critica alguns filósofos e o que ele entende por não filosofia. Para ele, os filósofos não são um tipo especial de pessoa. Qualquer ser humano pode tornar-se filósofo. Mas apesar disso existe uma "elite filosófica".

Crítica aos filósofos:

Platão errou ao acreditar no "filósofo-rei" (entendia-o como um ser especial).

Hume teria se enganado ao afirmar que a razão é escrava da paixão.

Spinoza era extremista e seu racionalismo teria sido levado a conclusões erradas.

Kant falhou, mas o admira, bem como aos outros. Porém chega a afirmar que não produziram coisas boas.

Karl Popper diz o que não é a filosofia.

A filosofia não seria a resolução de quebra-cabeças (jogos) de linguagem, nem tampouco um trabalho artístico. Popper diz ser partidário da audácia intelectual. 

A filosofia não é uma tentativa de explicar linguagens ou conceitos, nem uma "maneira de ser esperto".

Depreende-se que a Filosofia é, em suma, a busca da verdade.

Esclarecer, reformular, explicar, interpretar, buscar consistência, dar definições, buscar pressuposições subjacentes, avaliar de forma justa e estabelecer uma crítica são inerentes ao próprio pensar, não exclusividade do filosofar.

Filosofar não é somente "raciocinar", "calcular" e "argumentar". Tem a ver com a própria vida.

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