03 julho 2008

Tomás de Aquino

Tomás de Aquino (1225-1274) viveu num século em que duas correntes de idéias se opunham: a) um evangelismo radical do movimento de pobreza, ligado à obra de São Francisco, que renova e aprofunda a piedade e "redescobre" a Sagrada Escritura; b) um mundalismo inspirado em Aristóteles, que confere à razão natural e ao mundo material uma importância e uma independência jamais vistas. Tomás aceita, sem tomar partido, essas duas posições antagônicas. Depois, pela reflexão, ultrapassa-as ao desvendar a verdade de cada uma delas.

Tomás dirige sua busca filosófico-teológica ao ser, em abertura para a máxima totalidade. Opta, não por uma lucubração artificiosa, mas pela linguagem simples, a linguagem do povo. Para ele essa linguagem é depositária de grande sabedoria, quando bem garimpada. Dizia que o homem é um ser que esquece. E o filosofar é, em boa medida, uma tentativa de lembrar, de resgatar os grandes insights de sabedoria que se encontram encerrados na linguagem comum.

Todo pensamento medieval estava dominado pelo pensamento de Santo Agostinho que, por sua vez, baseava-se em Platão. Platão dizia que as essências estão fora do mundo, no topus uranus. Santo Agostinho complementou essa teoria, afirmando que as essências estão todas na mente de Deus. Tomás de Aquino, por seu turno, trata do ser existencial, ou seja, daquilo que ele está observando aqui e agora. Assim, ele realiza uma revolucionária descoberta baseada na distinção aristotélica entre potência e ato: a do ato de ser. Potência e ato são noções básicas e intuitivas: "potência" é o que pode vir a ser real, mas de fato não o é.

A concepção de Tomás de Aquino sobre a ética não é aquela que temos hoje em dia, ou seja, uma moral repressiva e punitiva. Para ele a moral é o ser do homem, doutrina sobre o que o homem é e está chamado a ser. É um processo de auto-realização do homem, um processo levado a cabo livre e responsavelmente e que incide sobre o nível mais fundamental do ser homem. A moral de Aquino refere, exclusivamente, à totalidade do ser homem. Por isso, distingue a realização (todo) das realizações parciais, como as profissionais, as artísticas e as religiosas.

Na Teologia de Tomás de Aquino não encontramos novidades. Coloca em pauta os temas já tratados pelos seus antecessores: Santíssima Trindade, Encarnação, Graça, Sacramento, Pecado etc. A única diferença é que aprofunda o seu significado. No que se refere à Graça, diz que há uma participação do ser em Deus. A Santíssima Trindade, por exemplo, expressa um Deus que é o Verbo, o qual se fez carne, através de seu Filho Jesus. Procura explicar tudo isso em termos de um raciocínio lógico, ou seja, nós participamos da natureza de Deus, mas não somos Deus.

Enfim, Tomás de Aquino é o último dos grandes clássicos que soube sintetizar o conhecimento aristotélico com a universalidade do Cristianismo.

Fonte de Consulta

LAUAND, L. J. Tomás de Aquino, Hoje. São Paulo, GRD, Curitiba, Champagnat, 1993.

São Paulo, 10/08/1998.

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