01 julho 2008

Thomas Hobbes e o Leviatã

Thomas Hobbes (1588-1679), por estar convencido de que um poder limitado jamais traria paz e harmonia ao Estado, denomina-o de Leviatã, aludindo ao monstro amedrontador da mitologia fenícia. Segundo esta mitologia, o monstro é um ser que não tem medo de nada, mas impõe medo e terror aos outros. Do mesmo modo, Hobbes concebe a instituição do Estado, ou seja, um Estado que deve impor medo e terror, a fim de ser obedecido. Se proceder de outra forma, poderá gerar desavenças e guerras entre os seus concidadãos.

O ponto de partida da filosofia política de Hobbes é a guerra. Segundo ele, a guerra impede o trabalho, o lazer, o comércio e o conhecimento técnico. A guerra torna os homens desconfiados uns dos outros. Em tais circunstâncias todo o homem é inimigo do próprio homem. Em sua busca das razões da guerra, chega à seguinte conclusão: a guerra é a soma de dois fatores: natureza humana e a ausência ou fraqueza do Estado. Para que haja paz, não se pode confiar na natureza humana, onde todos fazem o que querem, mas no estado civil, em que o Estado forte institui leis que devem ser seguidas por todos.

A tese da guerra, levantada por Hobbes, vai de encontro à teoria do amor natural sustentada por Cícero, em que afirma haver uma inclinação natural que nos leva a amar o nosso semelhante, sendo este o motivo para a prática das virtudes, da justiça e do relacionamento social. Hobbes, ao contrário, defende a tese do interesse pessoal. Como todos vão procurar os seus interesses pessoais, pode haver grandes demandas e grandes insatisfações por parte de todos. Nesse caso, o Estado deve manter a ordem através das leis civis, o que geraria a paz.

Hobbes, no seu afã do interesse pessoal, contradiz também a tese do animal político de Aristóteles. Para Aristóteles, os homens são animais políticos que devem viver em sociedade, em que uns ajudam os outros. Para Hobbes, eles tendem a olhar somente para si mesmos, para os seus interesses e assim vão inevitavelmente à guerra. Em toda a situação, defende o Estado forte como sendo o único capaz de instituir e manter a ordem social, no sentido de evitar a guerra.

"O homem é lobo do homem", frase que imortalizou Hobbes, recebeu represálias de muitos outros pensadores: se o governante age exclusivamente pelo seu interesse pessoal, como pode defender os interesses dos demais cidadãos? Além do mais, à medida que desconfiamos do outro o outro tem todo o direito de desconfiar de nós. Isso gera um clima de desconfiança geral, o que não condiz com a realidade dos fatos. Por isso, a lei áurea proposta pelos grandes pensadores da humanidade tem mais peso, ou seja, "fazer ao outro o que gostaríamos que nos fosse feito caso estivéssemos na mesma situação".

As pessoas pensam, escrevem e publicam os seus livros. Isso não quer dizer que estejam de posse da verdade. Em qualquer leitura, apliquemos sempre o crivo da razão e do bom senso.

Fonte de Consulta

FRATESCHI, Yara. Hobbes: a Instituição do Estado. In: FIGUEIREDO, Vinicius (org.). Filósofos na Sala de Aula. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, vol. 2.

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