02 julho 2008

Razões do Inconsciente

A idéia diretriz do pensamento de Sigmund Freud (1856-1939) – o fundador da psicanálise – que passou a maior parte de sua vida em Viena, é que há algo de verdadeiramente profundo na atitude natural das pessoas a respeito de si mesmas e de seus atos. Para Freud, não há nada sem uma razão de ser: um gesto, uma palavra, uma recordação, um esquecimento. Todos esses fatos têm íntima relação com o inconsciente. Por isso, deteve os seus estudos nos sintomas neuróticos, nos atos falhos, nos sonhos e nos demais assuntos correlatos.

Os sonhos tiveram grande peso nas formulações teóricas de Freud acerca do inconsciente: eles representavam a realização de um desejo. Numa de suas Conferências de Introdução à Psicanálise, afirmou: "Eu lhes digo, com efeito, que é muito possível – mais do que isso, muito provável – que a pessoa sonha, apesar de tudo, saiba o que seu sonho significa, só que não sabe que sabe e, por isso, crê que não sabe". Há, portanto, a necessidade de criar um método – o método psicanalítico - para o acesso a essas informações. A seguir, utilizou exaustivamente as técnicas hipnóticas e a "regra da associação livre".

O inconsciente freudiano difere do inconsciente filosófico. Para a filosofia, a representação inconsciente seria uma representação que não representa, ou seja, que não torna algo presente para um sujeito como um aspecto da sua experiência daquilo que ele vive ou sente. Para Freud, esses processos psíquicos (desejos, idéias, intenções), mesmos ausentes da consciência, acabam, ainda assim, influenciando-na. Os filósofos não podiam compreender a sua teoria do inconsciente psíquico porque, para eles, o termo consciência é sinônimo de psíquico.

Franz Brentano, que foi professor de Freud na Universidade de Viena, define a representação do inconsciente como o fez a filosofia, tornando impossível haver representações inconscientes no domínio de nossa experiência, mesmo que elas existissem numerosas em nós; de outro modo, elas não seriam inconscientes. Há, ainda, outras refutações acerca do inconsciente psíquico de Freud. Uma delas refere-se à conceituação de que a consciência é apenas um acidente da representação, não seu atributo necessário e essencial do que seja o mundo espiritual e psíquico do ser humano.

A tese do inconsciente freudiano é a tese de que a pessoa vai passando por experiências. Essas experiências, uma vez registradas em nosso cérebro, nunca mais se perdem, pois elas ficam guardadas no inconsciente do sujeito. E, sempre que for solicitada, pode vir à tona por meio de uma lembrança. Por isso, procurou criar vários métodos de auto-análise, no sentido de extrair do indivíduo aqueles dados que estavam perdidos. Uma vez recuperados, poderiam servir de subsídios para a cura das diversas patologias da alma humana.

Antes de começarmos a discutir, anotemos os conceitos em questão, alertava-nos o filósofo Sócrates. A representação mental do inconsciente é um deles. Tenhamos em mente o significado filosófico e aquele apresentado por Freud.

Fonte de Consulta

SIMANKE, Richard Theisen. Freud ou as Razões do Inconsciente. In: FIGUEIREDO, Vinicius (org.). Filósofos na Sala de Aula. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, vol. 2.

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