02 julho 2008

Quatro Compromissos

O ser humano deveria firmar – para consigo mesmo – quatro compromissos interiores no sentido de atingir uma vida plena e abundante. Eles são: cuidado com palavra empenhada, não levar nada para o lado pessoal, não tirar conclusões de nada e oferecer o melhor de si em toda a situação. Todos já ouviram falar, já leram a respeito, mas a sua prática não é tarefa fácil. Exige esforço, dedicação e tomada de consciência de cada situação de nossa vida. Teçamos alguns comentários acerca de cada um dos compromissos.

Cuidado com a palavra empenhada. A palavra é um dom divino e, por esta razão, deveria ser usada essencialmente para veicular a verdade. Se nossa palavra prestar-se à mentira, à leviandade e ao embuste, as conseqüências desses atos vão se incorporando ao nosso caráter e à nossa personalidade. Sem o percebermos, aprisionamo-nos a esses reflexos e cerceamos a liberdade do nosso espírito imortal. Sabemos que adquirir um hábito é muito fácil; o problema está em se desvencilhar dele depois. Prestemos, assim, muita atenção ao que falamos com os outros, dos outros e conosco mesmos.

Não leve nada para o lado pessoal. É sabedoria antiga, mas acabamos negligenciando a sua aplicação prática. Confúcio já nos dizia que não é a pessoa que nos fere, mas a imaginação que fazemos sobre o que ela disse. Nesse caso, poder-se-ia pensar que quando a pessoa nos feriu, ela não nos feriu, mas feriu-se a si mesma, porque comunicou a sua maneira de ser, a sua maneira de pensar, a sua concepção de vida. E a concepção de vida de uma pessoa não tem muito a ver com a concepção de vida da outra, pois cada um age de acordo com os seus juízos de valores.

Não tire conclusões. Quando alguém aparece em público, imediatamente formamos uma imagem estereotipada: se é gorda, achamos que come demais; se é magra, faz regime exemplar. Um amigo conta-nos um segredo sobre determinada pessoa. Quando tivermos que nos relacionar com aquela pessoa, já vamos com uma imagem pré-conceituada. Pergunta: como penetrar no mundo interior do outro se nem no nosso somos capazes? Lembremo-nos de que cada ser humano é uma individualidade que merece respeito, ocupe que posição ocupar na sociedade.

Ofereça o melhor de si. Façamos com que cada hora conte no cômputo geral do dia. Aproveitemos cada minuto como se fosse o último. Uma pessoa está em dificuldade, prestemos o auxílio hoje, porque o deixando para o dia seguinte, é possível que nem haja mais necessidade. E se o Senhor houver por bem levar a sua alma? Caso tenhamos dúvida acerca de nosso auxílio, façamos a seguinte pergunta a nós mesmos: que meios a Providência divina colocou em minhas mãos para que eu possa ajudar com eficiência?

Pondo em prática esses pequenos compromissos, vamos formando uma vasta rede de atuações em sociedade. No final de nossa vida podemos ter certeza que teremos um desencarne tranqüilo, pois agimos em função de uma consciência bem formada.

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