02 julho 2008

Problemas Filosóficos e Religião

Tales de Mileto, Anaximandro, Pitágoras e Heráclito – os primeiros pensadores gregos – foram contemporâneos de Lao-tzu, Confúcio, Buda e Zaratustra (o fundador da religião persa), filósofos orientais. Os filósofos gregos queriam tornar racional o conhecimento, fugindo, assim, do mito e das opiniões. Propunham alguns problemas e buscavam respostas baseadas na razão.

Os problemas levantados: a existência de Deus, a ligação de Deus com esse mundo sensível, o problema do mal, a relação entre moral e religião e as relações entre a alma e o corpo. As perguntas decorrentes: se Deus existe, como é Deus? Como demonstrar a sua existência? Deus é imanente ou transcendente? Se Deus é onipotente, por que existe o mal? Será possível uma moral sem religião? Existem princípios morais a todas as religiões? Existe alma? Ela é imortal? Que função desempenha? Como coexiste com o corpo? Depois da morte, ela voltará a se reunir com ele? Todas essas perguntas foram respondidas, de forma diferente, ao longo dos seus 2.600 anos.

Antiguidade: os pré-socráticos não tinham plena convicção de Deus. O agnóstico Protágoras dissera: "Sobre os deuses, não posso saber se existem ou não, pois há dois obstáculos: a obscuridade do problema e a brevidade da vida humana". Platão fala de um artesão divino, o demiurgo, intermediário entre os dois mundos. Aristóteles descreve Deus como o primeiro motor do Universo. Epicuro defendia a ética de origem exclusivamente humana. Os estóicos pregavam que o próprio mundo é o Deus racional, submetido à lógica do seu pensamento.

Idade Média: a filosofia e a teologia caminham juntas, com a primeira reduzida a um instrumento de fé. O problema central era: conciliar as exigências da razão com as perspectivas da fé na revelação. Para Santo Agostinho, por exemplo, "Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as idéias divinas. Essas idéias ou razões não existem em um mundo à parte, como afirmava Platão, mas na própria mente ou sabedoria divina, conforme o testemunho da Bíblia".

A revolução científica dos séculos XVI e XVII deu uma nova imagem ao divino: "Deus é o criador de uma máquina perfeita que Ele se limita a vigiar depois de tê-la posta em marcha". Em conseqüência, o século XVIII foi inundado de posições materialistas e atéias, as quais acabaram negando abertamente a existência de Deus: Hume, por exemplo, fez sérias objeções à possibilidade de se demonstrar a existência de Deus; Marx, por seu turno, via a religião como o ópio do povo: ela somente existiria enquanto existisse "um mundo necessitado de ilusões". Nietzsche, no entanto, foi o filósofo mais contundente: anunciou a morte de Deus na cultura ocidental.

Depois de a revolução científica criar condições para a morte de Deus, as idéias religiosas entram em contato com as teorias psicanalíticas de Freud, que definiu a religião como uma neurose obsessiva da coletividade humana. Freud diz: "seria muito agradável que Deus existisse, e que houvesse criado o mundo, e que sua providência fosse benevolente. Seria excelente que existisse uma ordem moral no universo, e que existisse uma vida futura; mas é muito surpreendente que tudo isso coincida com o que todos nos somos obrigados a desejar que exista".

Por mais que os estudiosos queiram demonstrar a insignificância da religião, ela resiste ao tempo e ao espaço, porque representa o sentimento natural de adoração a um ser superior.

Fonte de Consulta

Temática Barsa – Filosofia
São Paulo, 29/11/2006

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