02 julho 2008

Problema e Filosofia

O que é um problema? Em filosofia, o problema não é um cálculo matemático; ele deve resumir uma pergunta, com fundamento gramatical. Assim, antes de estudarmos Kant, Hegel e Leibniz, deveríamos descobrir o que eles estavam procurando, ou seja, que tipo de resposta eles queriam dar às suas perguntas. Nesse sentido, o conteúdo filosófico é muito mais importante do que a descrição histórica, do que contar história. Para uma melhor compreensão do que seja a filosofia, convém tratarmos da racionalidade, da intersubjetividade, do algoritmo e da refletividade.

A filosofia deve ser racional. Deve-se dar esclarecimento, mas esclarecimento que vá ao fundo da questão. O verdadeiro filósofo não se prende a questiúnculas; ele quer dar uma explicação cabal, aquela que vai às origens do problema, da pergunta. Para melhor explicar, ele deve juntar, amontoar e classificar. E o que é isso? É simplificar, é tornar o conhecimento compreensível, sem necessidade de muitas figuras de linguagem. Um texto nebuloso, e excessivamente rebuscado, mostra muito mais a limitação do pensador do que a sua intelectualidade.

A filosofia, ao contrário do que a maioria pensa, não é obra subjetiva, ou seja, exclusiva de um pensador. Ela se expressa através da intersubjetividade, que é o inter-relacionamento de idéias e pensamentos. Vista por este ângulo, a filosofia pertence ao coletivo; ela é a soma de todos os pensamentos e raciocínios. Não há assim tanta arbitrariedade como normalmente se pensa. Em realidade, cada pensador, cada filósofo nada mais faz do que tornar seu o que é coletivo, e expressar tudo isso com suas próprias palavras.

A filosofia não é algoritmo, ou seja, não se apresenta como uma padronização que a tudo se ajusta. Algoritmo, segundo o Aurélio é o processo de cálculo, ou de resolução de um grupo de problemas semelhantes, em que se estipulam, com generalidade e sem restrições, regras formais para a obtenção do resultado, ou da solução do problema. Na filosofia, embora o coletivo permaneça, cada qual deve construir o seu próprio conhecimento. Dessa forma, haverá sempre muita espontaneidade e muita criatividade nos pensamentos de cada filósofo.

A filosofia é reflexiva. Deve abranger algo voltado para dentro do próprio sujeito pensante. Por isso, quando o filósofo se expressa ele deve expressar-se a si mesmo e não o pensamento dos outros. Além do mais, a reflexão deve ser fruto de um perfeito amadurecimento do espírito que, calma e tranqüilamente, vai absorvendo as verdades que lhe forem sendo apresentadas. Depreende-se, daí, que a ansiedade é prejudicial, pois dificulta os vôos do Espírito rumo ao conhecimento superior.

Coloquemos devidamente os problemas filosóficos. Procedendo desta forma, eliminaremos muitas questões supérfluas. Uma busca sem objetivo não só é inútil como também nos faz perder tempo precioso, que poderia ser mais bem alocado em nossa melhoria interior.

São Paulo, 04/08/2004

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