02 julho 2008

Posso Ser Diferente do que Eu Sou?

Neste exato momento estou digitando este texto. Por que não estou fazendo outra coisa? Por que não estou assistindo à TV? Por que não estou ouvindo rádio? Por que não estou viajando pelo mundo? Porque esta escolha é o melhor uso que estou fazendo do meu tempo disponível. A resposta, "não tenho tempo", mostra que não queremos alocar o nosso tempo para as atividades que não estão em nosso projeto de vida. O inverso também é verdadeiro: "sempre temos tempo para aquilo que consideramos essencial em nossa vida".

A vida é o hic et nunc (aqui e agora). O hoje é o resultado do ontem. A situação em que cada um de nós se encontra na vida é o resultado das escolhas feitas no passado. Estamos, assim, no devido lugar e, com certeza, não saberíamos escolher outro melhor. Que outra coisa eu poderia fazer se não estivesse fazendo o que eu estou fazendo neste exato momento? Lembremo-nos de que somos únicos. Por isso, convém sempre pugnar por fazer aquilo que o nosso coração nos pede e não aquilo que os outros achem que devemos fazer.

A expectativa dos outros é uma forma de preconceito. Por que? Porque eles formam uma imagem de nossa pessoa e acabam exigindo que atendamos a essa representação. Suponha que adquiramos a glória de ser caridoso. Basta negarmos um único pedido, para que os outros passem a nos cobrar por tal atitude. Ficamos imensamente chateados com isso. Convém, diante dessa situação, distinguirmos o que é sugestão alheia e o que é recurso próprio do nosso sentimento. Rigorosamente falando, não precisamos dar satisfação a ninguém a não ser à nossa própria consciência.

Lamentar-se não resolve. O tempo que perdemos lamentando-nos da vida poderia ser mais bem aproveitado na ação de resolver o problema que nos aflige. Agir em vez de lamentar-se! Só que não é tão fácil, pois exige mudança de nossas atitudes, de buscar o desconhecido, o que gera medo e incerteza. Este talvez seja o grande empecilho para o progresso em nossa vida. Queremos o êxito, mas não queremos pagar o preço que tal procedimento exige. É por isso que, muitas vezes, preferimos a resignação e a ocupação do último lugar na escala social.

Quando incompreendidos por nós mesmos e pelos outros, verifiquemos o estado de nossa consciência. A pureza de consciência sempre nos propicia a paz e o equilíbrio em qualquer circunstância, mesmo na mais borrascosa. Daí surgir o paradoxo: estar atolado nas dificuldades e, ao mesmo tempo, ter a impressão que não há problema algum. Para reforçar o equilíbrio mental, convém nos lembrarmos de que todo o bem que fizermos ao nosso próximo ficará gravado no éter e, mais cedo ou mais tarde, nesta ou em outra encarnação, receberemos o retorno dessas ações.

Compenetremo-nos de que lamentar nada resolve. É imperioso agir. Contudo, a ação não deve ser movida pela força, nem pela violência, mas pelo amor-doação, pois "não existe melhor vitória do que aquela em que o adversário se considera vencido".

São Paulo, 14/9/2005

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