02 julho 2008

Por um Mundo Criativo

A nossa mente é o resultado de todas as nossas experiências passadas. Nela estão gravados as nossas crenças, os nossos hábitos e os nossos automatismos. Os nossos erros e os nossos acertos foram, ao longo do tempo, constituindo aquilo que denominamos o eu. O eu, visto desta forma, é um elemento de causa, isto é, fruto de uma experiência passada. Pergunta-se: como romper com os reflexos condicionados negativos e transformá-la num pólo positivo de criatividade?

Comecemos esta abordagem por uma reflexão sobre o inconsciente. O que é o inconsciente? Como se expressa? O inconsciente é esse passado, o qual fica escondido em nossa mente. Os nossos impulsos e as nossas tendências ali estão guardados, contudo não os percebemos de imediato. Diz-nos a Psicologia que quando queremos repreender alguém que fala alto demais, que liga o seu aparelho de som no último volume ou que usa o celular em lugares indevidos, é porque gostaríamos de estar fazendo o mesmo, mas nos reprimimos. Se víssemos o defeito do outro como um espelho em nós, muito lucraríamos com isso.

A percepção do defeito do outro deve ensejar uma mudança em nossas atitudes. Como realizá-la? Partindo de um princípio fundamental: "tudo aquilo em que nos concentramos se expande". Se o nosso foco é o crime, o tédio e a falta de dinheiro é isso que se expande em nossa mente. Assim, se nos concentrarmos em todas as coisas problemáticas, negativas, difíceis e impossíveis de aceitar, criamos resistência à conexão afirmativa e criativa com as suas reais circunstâncias.

De acordo com Campbell, Freud nos ensinou a culpar os nossos pais e Marx a classe dominante. Acrescenta que "Na verdade, a única pessoa que você realmente pode considerar responsável é você mesmo". Em vista disso, não deveríamos culpar nem o acaso e nem o próximo pelas nossas derrocadas. O correto é lidar com a vida que surge: se algo nos acontece é porque deveria realmente nos acontecer. Com isso, tomamos participação ativa na vida e em tudo que nos rodeia.

Todo o ser humano tem potenciais e possibilidades à espera de realização. Conseqüentemente, as nossas conversas, os nossos diálogos e os nossos embates devem primar pela abertura ao novo. O processo criativo poderia ser descrito da seguinte forma: uma vez posto um objetivo, haverá divergências e convergências, as quais deverão encaminhar para uma síntese, que é a solução de um problema. Lembremo-nos de que adoção de uma Visão de Mundo Criativa requer um contexto distinto para a interpretação do que acontece na nossa vida.

Avante! Como ainda somos crianças na arte de elevar, é importante que nos coloquemos humildemente diante de nossas imperfeições. Todo o dia é dia de melhorar alguma coisa em nós.

Fonte de Consulta

LAND, George e JARMAN, Beth. Ponto de Ruptura e Transformação: Como Entender e Moldar as Forças de Mutação. Trad. de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix, 1995.

São Paulo, 26/5/2006

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