02 julho 2008

Persuasão e Necessidade

Cada um de nós, que vive neste mundo de provas e expiações, tem sua cota de sofrimento. Por isso, jamais pensemos que a nossa dor seja maior do que a do nosso vizinho. "As aparências enganam", diz o anexim. Assim, nem sempre aquele que está com o sorriso nos lábios, é o mais feliz dos mortais. Muitas vezes está passando por dissabores, penúria e falta do necessário para a sua sobrevivência.

Os homens, de maneira geral, apressam-se a dizer não ante uma solicitação que lhes traga dificuldade. Confiam, desconfiando da intenção do próximo. Não nos desesperemos quando isso ocorrer conosco. Lembremo-nos, porém, de que toda a idéia contrária é salutar, porque obriga o nosso interlocutor a pensar naquilo que lhe foi proposto. A Psicologia Social ensina-nos que as idéias não são aceitas de um modo incontinenti; elas precisam de tempo para maturar, tomar corpo e mudar o paradigma.

A civilização, pela sua própria complexidade, amplia sobremaneira a necessidade humana, pois está sempre oferecendo novos bens, tanto material quanto espiritual. Isso estimula cada vez mais o desejo de consumir. Nesse sentido, diz-se que a necessidade é maior força propulsora do progresso, pois de maneira alguma ela está separada do trabalho. Quer dizer, temos o desejo, o estímulo; para consegui-lo, desde que honestamente, precisamos de fazê-lo através da prática de uma profissão, seja de que espécie for.

É possível sermos diferentes do que somos? É uma pergunta que requer certa dose reflexão. Por mais que queiramos mudar a nossa rota, acabamos percorrendo os caminhos que deveríamos percorrer. O que Deus reserva para um, nenhum outro homem pode usufruir. Parece que fica algo martelando em nosso subconsciente, tal qual uma missão, um dever a ser cumprido. E por mais penosos que sejam os dias e as noites de espera, o coração indica a certeza de vitória no final do tormento.

No versículo do Evangelho está escrito: "Aquele que perseverar até o fim será salvo". A persuasão e a necessidade são dois deuses que orientam os nossos destinos. A necessidade impõe uma ação, ação de um impulso de nosso cérebro, de nossa vontade para dar continuidade ao caminho, mesmo estando com "os pés cansados e os joelhos desconjuntados". O fim não é o término, mas o objetivo, a meta a ser conseguida pela pureza da consciência.

Estabeleçamos os nossos planos. Por maiores que sejam as nossas dificuldades, urge continuarmos, porque retroceder é perder a oportunidade de iluminação do Espírito imortal.

São Paulo, 20/10/2003

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