02 julho 2008

Pensar por nós Mesmos

O que significa pensar por nós mesmos? Seria transformar o pensamento em ação? Debruçar sobre a leitura de livros? Escrever um livro? Parafrasear o pensamento do próximo? Aprofundar um tema? Estas são, dentre muitas outras, questões substanciais acerca do pensar.

Dever e responsabilidade são, respectivamente, os primeiros elementos na tentativa de pensarmos por nós mesmos. Por que? Porque quando estivermos cônscios de nossos deveres para com o próximo, a nossa responsabilidade concomitantemente ajusta-se a esse status quo. Assim sendo, as nossas atitudes e comportamentos tendem a colocar em prática os pressupostos de nossos objetivos, induzindo-nos a prestarmos mais atenção aos estímulos que nos cercam, no sentido de dirigirmos melhor a nossa conduta para o papel que devemos desempenhar na sociedade.

O pensar por nós mesmos pode ser auxiliado pela filosofia de Kant, quando ele analisa o sapere aude! "Tem coragem de fazer uso do teu próprio entendimento, tal é o lema da filosofia". Nesse contexto, ele fala da menoridade e da maioridade na arte de pensar. Para Kant, menoridade é pensar pela cabeça do outro, quer seja um homem famoso, um juiz ou guru; a maioridade, por outro lado, é enfrentar toda a situação com o espírito crítico e coragem intelectual. Estar, sozinho, no meio de uma floresta é um bom exercício. Sem ninguém que nos guie, temos de encontrar a saída.

Pensar não requer verbosidade. Os Espíritos superiores, quando se comunicam conosco, fazem-no de modo sintético, ou seja, com o mínimo de palavras possíveis, sem prejuízo do conteúdo a ser transmitido. Para que perder tempo, enchendo de letras e mais letras os papéis que, depois, serão transformados em livros para que outros percam tempo lendo o que escrevemos? Respeitemos o nosso próximo: transmitamos a nossa mensagem de modo claro, objetivo e sem segundas intenções.

Vez ou outra o nosso pensamento recebe fluxos negativos e uma mórbida obsessão ecoa em nosso psiquismo. Assim mesmo, é imperioso lutar para não sermos tragados pelas influências menos felizes. Nesse mister, convém não nos deixarmos guiar pela imaginação catastrófica. Devemos, sim, direcionar a nossa mente para os fins que nos propomos, embora tudo a derredor pareça ir contra. Quem sabe se todos esses incômodos não estão nos fortalecendo para o que há de vir?

Pensar por nós mesmos é, acima de tudo, estar debaixo da vontade de Deus. E estar com Deus, mesmo que seja no Inferno, é estar no Paraíso.

Fonte de Consulta

BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao Pensar: O Ser, o Conhecimento, a Linguagem. 28. ed., Petrópolis, Vozes, 2001.

São Paulo, 09/07/2002

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