02 julho 2008

Pensar Direito

Em qualquer lugar onde estivermos, apresentar-nos-ão problemas, dificuldades, afirmações, dúvidas etc. Pergunta-se: o que fazer diante desses fatos? Crer porque a pessoa que nos disse é uma autoridade no assunto? Aceitar porque não temos informações sobre a questão? Nada fazer porque temos preguiça de pensar a respeito? Em fim, qual a melhor atitude a tomar?

Diante de uma questão ou de um problema, entendemos que a primeira atitude deve ser a de ouvir atentamente o que o interlocutor tem a dizer. Posteriormente, lucubrar sobre o que foi dito, verificando o quanto sabemos ou o quanto nos falta saber do assunto. Mais precisamente, exercitar o raciocínio buscando argumentos sólidos. Significa tentar explicar, proceder a uma análise, ou seja, enfrentar o problema na sua plenitude, até chegar a uma maior compreensão do mesmo.

Inteirado dos argumentos e verificada a nossa limitação em relação ao que foi proposto, proceder à pesquisa. Ir à enciclopédia para saber a etimologia e o significado da palavra; ir ao dicionário bilíngüe, caso o termo seja estrangeiro; ir ao dicionário de símbolos, quando a palavra assim o exigir. Tudo isso ajuda a termos uma visão mais ampla da palavra e usarmos a linguagem que melhor se adapte ao significado que queremos expressar. Partir do conhecido para o desconhecido solicita esse procedimento científico. Nesse mister, lembremo-nos de que a maioria das discussões começa pela não definição do termo que queremos comunicar.

Em se tratando de números, prestar atenção no que foi enunciado, pois os números não mentem, mas os mentirosos os usam para mentir. Em economia há erros crassos ao relacionarmos coisas distintas. Um deles é comparar salário líquido com a renda do outro, em um país onde o imposto de renda progressivo é enorme; outro, é comparar renda, que pode ser consumida, com a riqueza, que representa um patrimônio físico de um país ou de uma empresa, o que pode ou não se transformar em renda.

Os sofismas ou falácias do pensamento devem ser lembrados. O que é um sofisma? É um raciocínio falso que se apresenta com aparência de verdadeiro; argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresenta. Observe o exemplo: todo o homem é bom. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é bom. A premissa inicial teve como conclusão que Sócrates é bom, mas quem nos garante que todo o homem é bom.

Pensar direito requer uma atitude socrática, ou seja, "uma vida sem exame não merece ser vivida". Empenhemo-nos no exercício de bem expressar o nosso discurso, seja ele de que natureza for.

Fonte de Consulta

FLEW, Antony. Pensar Direito (Ou, Será que Eu Quero Sinceramente Estar Certo?). Tradução de João Paulo Monteiro. São Paulo: Cultrix, Editora da Usp, 1979.

São Paulo, 05/06/2002

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