02 julho 2008

Pascal e sua Obra, Os Pensamentos

Blaise Pascal, matemático, cristão e filósofo, nasceu em 1623, em Clermont-Ferrand, na França. Viveu apenas 39 anos. Escreveu várias obras científicas, tais como, o Ensaio sobre as Cônicas e o Tratado sobre o Vácuo (1651). Os Pensamentos, porém, é seu trabalho mais conhecido. Nesta obra, segue a mesma linha de raciocínio dos aforismos de Heráclito, ou seja, condensa as suas idéias em fórmulas curtas e fortes, deixando, ao leitor, a incumbência de desdobrá-las mais tarde.

Os Pensamentos, redigido após a sua morte por parentes e amigos, tem uma tese central, que é a proeminência da religião sobre a filosofia e a ciência. A intenção de Pascal era a de sensibilizar os incrédulos. Pascal tem que usar a razão e a argumentação, únicos instrumentos que seu interlocutor reconhece. Vislumbra o tema miséria e grandeza do homem e pensa essa contradição. A obra pode ser considerada, também, uma crítica ao racionalismo de Descartes. Nesse sentido, usando o solo da razão e da experiência para investigar a condição humana, diz: "O coração tem suas razões que a razão não conhece".

No tema da miséria e da grandeza do homem, ele exalta a sua crença no Deus católico. É a metáfora do homem decaído (o que está na miséria): o que se afastou de Deus. Nele vai imperar a fuga para o divertimento. Nesse caso, qualquer coisa o atrai, qualquer coisa, por mais insignificante que seja, o diverte. Isto acontece porque o ser humano não soube penetrar no âmago da religião. Uma vez compenetrado da sua importância perante o Criador do universo, todo o eixo de sua vida se modificará.

Deduz-se de os Pensamentos que há dois tipos de opiniões: a dos homens e a dos filósofos. A opinião "dos homens" (pessoas comuns): acreditam poder alcançar a felicidade conquistando algo (uma propriedade, uma vitória na guerra, um tipo conhecimento). A opinião dos filósofos: criticam as pessoas comuns, incapazes de ver que a felicidade não está nas coisas conquistadas, mas no interior do homem, no conhecimento que este tem de si mesmo. Para Pascal, tanto uns quantos os outros carecem de um conhecimento superior, isto é, aquele fornecido pela religião.

Para explicar que nem os homens comuns, nem os filósofos alcançam a felicidade, ele lança mão da "razão dos efeitos", extraída de seus estudos físicos e matemáticos. A idéia é simples: colocam-se objetos ou figuras dentro de um cone. Olhando-os horizontalmente, tem-se uma visão parcial (os objetos adquirem vários contornos); olhando-os de cima para baixo, tem-se uma visão mais acurada. Comparativamente, se olharmos a vida sob a inspiração divina, teremos uma visão mais ampla, do que simplesmente olhando-a do ponto de vista do homem comum ou mesmo do filósofo.

A crença religiosa de Pascal era tão firme, que o fez dizer que as suas descobertas geométricas nada significavam, porque elas não o ajudavam a salvar a sua alma.

Fonte de Consulta

BIRCHAL, Telma de Souza. Pascal e a Condição Humana. In: FIGUEIREDO, Vinicius (org.). Filósofos na Sala de Aula. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, vol. 2.

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