01 julho 2008

Mente Criadora

O poder do pensamento criador acaba, com o tempo, sendo corroído pelo hábito. Muitas pessoas de idade perdem o ímpeto de tentar o desconhecido, de se arriscar em novos empreendimentos, de enfrentar a complexidade da vida. Condicionam-se sem o saber. Levantam-se sempre num determinado horário, tomam o seu café meia hora depois e leem o jornal durante 15 minutos. Depois disso, arrumam-se e vão para as suas atividades habituais. Repetem o processo no dia seguinte, e assim sucessivamente. O improviso não faz parte de suas agendas diárias.

O hábito cria em nós a "fixação funcional", a "rigidez na solução do problema" e a "mecanização da vida". Essas atitudes comportamentais ficam de tal maneira impregnadas em nosso subconsciente que, somente a muito custo e pela aplicação incessante da vontade, é que conseguimos algum progresso em sua ruptura. Alguns espiritualistas emprestam a essas atitudes o termo "cascões mentais"; acrescentam, ainda, que esses cascões mentais são sumamente prejudiciais à educação das crianças, porque estas, em tenra idade, são obrigadas a aceitar ordens pouco racionais dos adultos, baseadas mais no preconceito do que no bom senso.

Para obter bom êxito no des-condicionamento, Osborn sugere a aplicação do brainstorm (tempestade de cérebros), método criado por ele, em que há uma separação entre o pensamento crítico e o pensamento ideador. Um dos princípios relevantes deste método é o de permitir que todos os participantes de uma reunião possam falar livremente sobre um determinado tema, sem que haja reproche por parte de qualquer outro membro do grupo. Com isso, acha ele, liberamos o espírito criador que existe dentro de cada um de nós.

O desânimo próprio não deixa de ser um fator limitativo da criatividade. Ao elaborarmos idéias que não são de toda a gente, quase sempre sofremos as investidas adversas, que procuram esfriar o nosso entusiasmo. Suponha que apresentemos um projeto arrojado para um determinado grupo de pessoas, e ele seja vetado. Qual é a nossa reação? Ficamos desanimados. Mas o que é pior? Parecermos absurdos a nós mesmos ou aos outros? Todos temos uma luz interior. É melhor segui-la do que nos desviarmos para os caminhos que não deveríamos percorrer. .

A timidez também é um entrave ao pensamento criador. A timidez pode ser entendida como uma espécie de orgulho que nos faz ficar escondido quando, com muita boa razão, deveríamos estar em público. Voltamo-nos para a nossa limitação, achando que os outros sabem mais do que nós e que não é preciso nos expressar. Essa postura, porém, cria em nós um círculo vicioso, porque coibindo um pensamento, um ato, os outros pensamentos e atos que daí pudessem advir ficam parados, de modo que em pouco tempo vemos o total embotamento de nossa inteligência.

Liberemos o nosso poder criador. Ele nos foi oferecido por Deus não somente para o nosso proveito pessoal, mas também para servir de estímulo a toda a humanidade.
São Paulo, 7/10/2005.

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