01 julho 2008

Memória: do Inconsciente ao Consciente

"Quem sou eu?" Uma reflexão sobre essa questão mostra-nos a dificuldade que temos de conhecer a nós mesmos. Biologicamente, somos iguais a nós mesmos somente a cada vinte e quatro horas. É que o nosso metabolismo altera-se ao longo do dia. A temperatura, por exemplo, sobe durante o dia, atinge o seu valor máximo no fim da tarde e baixa a partir da noite, para atingir um valor mínimo no meio da noite. Tudo em nós é diferente dependendo da hora da medição. A urina colhida de manhã é diferente daquela colhida à noite bem como a memória matinal é distinta da memória noturna.

A vivência no planeta Terra realiza-se, dialeticamente, opondo-se dia e noite. Para que o Espírito adaptasse à mudança do dia para a noite, houve necessidade de muni-lo de um relógio biológico. Este relógio não só consegue pôr-nos a dormir à noite, fazer que sonhemos e acordemos espontaneamente de manhã, mas também é responsável pela alteração periódica diária de praticamente todas as funções que podemos observar no organismo. Por mais que adiemos nossa ida à cama, chega um momento em que somos vencidos pelo sono e temos de nos render.

A memória marca a duração do tempo em nossa vida. Sem ela teríamos dificuldade de de nos reconhecermos. O fato de nos levantarmos e logo tomarmos consciência de nossa existência é porque foi acionado o conteúdo de nossa memória. Observe, por exemplo, as pessoas que perderam a memória. Elas não conseguem identificar-se consigo mesmas. Faltando-lhes o ponto de referência, ou seja, a memória ficam perdidas.

A admissão de um inconsciente que penetra constantemente na consciência pode ser correta ou falsa. Para Freud, o inconsciente pode tornar-se consciente, desde que não haja recalques. Quando um estado de coisas não se pode tornar consciente, quando pois permanecem inacessível à consciência, então não existe qualquer possibilidade de examinar a sua influência na consciência. No fundo temos de escolher, ou seja, aderir ou não à questão da existência do inconsciente.

Como podemos entender a relação entre presente, passado e futuro? O passado é o pós-consciente, isto é, aquilo que já passou pelo consciente. O futuro é o pré-consciente, ou seja, aquilo que pode tornar-se consciente. O presente é o agora, isto é, o conteúdo do consciente, que sintetiza o co-consciente, o para-consciente, o inconsciente, o subconsciente e o extraconsciente. O ser é hoje o resultado de todo o complexo representado pelo presente, passado e futuro.

Em nosso psiquismo existem mistérios ainda insondáveis. Aceitemos, pois, as injunções do inconsciente, porque aí encontra-se um manancial de verdades a serem desvendadas pelo nosso Espírito imortal.

Fonte de Consulta

PÖPPEL, E. Fronteiras da Consciência: a Realidade e a Experiência do Mundo. São Paulo, Edições 70, 1989.

São Paulo, 20/11/1996

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