01 julho 2008

Medo e Motivação

A Psicologia tem catalogado muitas informações a respeito da conduta humana. A premissa básica de suas pesquisas refere-se a um estudo pormenorizado das escolhas feitas pelos indivíduos, quer estejam ou não sob o impulso do medo. Para corroborar algumas de suas hipóteses, os psicólogos valem-se dos reflexos condicionados observados nos animais, na esperança de que estudando os seus sentimentos de culpa, de ansiedade e de medo, possam tirar conclusões úteis à melhor compreensão dos seres humanos.

O medo, por exemplo, foi pesquisado entre os ratos. O experimento consistia em colocar ratos numa sala clara, aplicando-lhes um choque elétrico; depois, colocavam-nos numa sala escura, sem o referido estímulo. No primeiro momento, eles renegaram a sala branca e escolheram a escura. Depois de algum tempo, parece que não ligaram mais para o choque elétrico e voltaram para a sala branca. Conclusão: eles somatizaram o efeito inibidor da dor. O nó da questão está em transferir essas conclusões para aplicá-las no ser humano, que possui a linguagem e razão.

Na antiguidade, o medo não era tão intenso quanto nos dias que correm. Sócrates, Platão e Aristóteles, pensadores da Grécia Clássica, davam um outro colorido ao pensamento e à motivação humana. Eles referiam-se à própria vocação do ser humano. Afirmavam que cada indivíduo tinha uma missão e a ela se dedicava totalmente. As pessoas não ficavam perambulando de um lado para o outro, para definir o seu papel na vida: cada qual era o construtor do seu próprio destino e, por isso, não tinham medo.

Atualmente, somos obrigados a conviver com o medo e com a ansiedade. Como o tempo e o dinheiro nunca são suficientes, estamos sempre correndo para cá e para lá em busca da racionalidade e da produtividade, sem percebermos que quanto mais corremos, mais estamos sendo lançados na grande irracionalidade da vida. O produzir por produzir cria em nós muita ansiedade. Não paramos mais para observar as flores e a natureza. Estamos apenas preocupados em estarmos ocupados, presos a algum compromisso, seja de que espécie for.

O conflito entre medo e motivação deve ser resolvido pela ação da vontade. Muitas vezes somos bafejados por uma idéia brilhante, genial e inovadora. Contudo, logo a seguir vem o negativismo, principalmente porque damos mais importância à nossa fraqueza (humana) do que à fortaleza que vem de Deus. Mas, quando centralizamos os nossos desejos e as nossas forças nesse fim maior, que é atender à Vontade do Criador, a nossa mente fica povoada de pensamentos robustos e recobramos novamente o nosso vigor físico, intelectual e moral.

Se a nossa consciência nos indicar que o caminho que estivermos percorrendo é aquele que devíamos percorrer, prossigamos, pois recuar no momento do combate é perder todos os frutos da preparação anterior.

Fonte de Consulta

SAWREY, J. M. e TELFORD, C. W. Psicologia do Ajustamento. Tradução de Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, 1974.

São Paulo, 01/04/2004

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