02 julho 2008

Lições de Sêneca

Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer. (Sêneca)

Em Sobre a Brevidade da Vida, a obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.? - 65 d.C.) e um dos textos mais conhecidos de toda a Antigüidade, o autor reporta-se a Paulino, um funcionário da alta corte imperial romana, para lhe fazer compreender que a única coisa útil na vida é o estudo da filosofia. Quer convencê-lo, através da exortação filosófica e do discurso claro e objetivo, que sem a filosofia a vida se esvai improdutivamente. Parte da opinião comum de que a vida é breve. Contraria-a, porém, estabelecendo uma perfeita distinção entre a ocupação e o ócio.

A ocupação diz respeito à execução de uma tarefa, ao exercício de uma profissão e à busca de riquezas; o ócio, ao cuidado com a alma imortal. O afã empregado em conquistar fama ou riqueza rouba-nos tempo precioso, que poderia estar sendo utilizado na obtenção dos valores morais. Para Sêneca, "Os ocupados não vivem a verdadeira vida, eles simplesmente deixam-se existir e calculam o tempo apenas pelo relógio, e não pela vida interior". Para ele, o único conhecimento válido é o da filosofia, cuja finalidade é o aperfeiçoamento moral do homem.

Sêneca escreve: "O homem vive preocupado em viver muito e não em viver bem, quando na realidade não depende dele o viver muito, mas sim o viver bem". O que é viver bem? É estar sem fazer nada? É estar imerso nas inutilidades das visitas de fim de semana? É estar a par de toda a novidade? Será que assim procedendo não estaremos vivendo nas sombras, descritas por Platão, em seu Mito da Caverna? Sêneca, por seu turno, pretende convencer Paulino a desprender-se das suas atividades do cotidiano. Incentiva-o a filosofar sobre o sentido de sua própria existência.

Baseando-nos nesses ensinamentos, perguntaríamos: como estamos refletindo sobre nós mesmos? Será que estamos sendo realmente senhores de nós mesmos? Sabemos dizer sim quando aceitamos uma ordem e não quando discordamos dela? Qual o grau de influência que o pensamento dos outros tem sobre a nossa conduta? Estamos preocupados em dar explicações sobre o nosso modo de vida? Será que a nossa maneira de viver interessa tanto aos outros, como a supomos?

Se a vida é breve, tenhamos em mente que o minuto que passa não volta jamais. Assim, aproveitemo-lo da melhor forma possível. Que ele seja a perfeita vontade de Deus em nossas almas. Aquele que tem a consciência tranqüila estará sempre bem, inclusive na prisão, porque estará em paz com o seu pensamento. Aquele, porém, que tem a consciência tisnada, não estará bem em lugar nenhum, porque "o criminoso sempre retorna ao lugar do crime". Quer dizer, a nossa consciência estará sempre remoendo aquilo em que contrariou as Leis Divinas.

A vida nada mais é do que a viagem da alma rumo ao seu progresso moral e espiritual. Façamos sempre uma avaliação serena de tudo aquilo que se apresenta aos nossos olhos. Nada de emoção descabida, nem de racionalismo excessivo. A virtude está no meio.

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