01 julho 2008

Idéia: Matéria-Prima do Filósofo

O filósofo é um trabalhador, não um trabalhador braçal, mas um trabalhador intelectual. Enquanto o trabalhador braçal transforma os recursos naturais em produtos de utilidade para o lar e a sociedade, o trabalhador intelectual transforma as idéias, que são a sua matéria-prima. O produto final do filósofo é um melhoramento de sua compreensão do mundo, das pessoas e das coisas que o rodeiam.

O que são as ideias? Em sentido geral, ideia é algo que se passa em nosso cérebro. Elas surgem, ficam por algum tempo e desaparecem. Por isso, costumamos anotá-las, para que não se percam. Há idéias e idéias. O filósofo procura trabalhar com idéias que duram para sempre. Os seus temas preferidos são: Deus, Espírito, Matéria, Cosmovisão, Justiça, Liberdade etc. É refletindo sobre esses temas que aumenta a sua visão de mundo.

As idéias estão disseminadas no tempo e no espaço. Podem ser comparadas às coisas que existem. O trabalho do filósofo é transformar essas coisas ou idéias em objeto de conhecimento. Enquanto coisas, o conhecimento está disperso, confuso e vago. Para que ele se torne objeto de conhecimento, há necessidade de apreendê-lo. Para que isso se concretize, a mente deve se concentrar no tema em questão, a fim de tirar dele todo o conteúdo de aprendizagem.

O pensamento, tanto quanto as idéias, não pára. Ele está sempre em movimento. Podemos nos deixar guiar pela nossa imaginação, pelos pensamentos dos outros ou pelo alheamento da realidade. Para o filósofo, contudo, o que tem valor é a construção do seu próprio pensamento. Não importa de onde tenha vindo a ideia inicial, pois tanto faz que a mesma tivesse brotado de um homem medíocre ou de um homem famoso. O seu trabalho consiste apenas em verificar se esse primeiro estímulo é viável de se tornar um objeto de conhecimento. Depois disso, parte para o trabalho.

Aprender a aprender é uma das grandes questões posta pelo filósofo. Como ele trabalha com ela? Observando e refletindo sobre o conhecimento e a maneira como o está assimilando. Começa sempre com o "aprender a desaprender", ou seja, procura, primeiramente, libertar a sua mente dos erros, dos preconceitos e dos automatismos, a fim de que o seu espírito possa alcançar uma transcendência em toda a situação em se defrontar.

Aprendamos com os filósofos: tomemos arbitrariamente qualquer tema e verifiquemos se é útil ao nosso espírito. Depois, coloquemo-nos a caminho para extrair dele toda a profundidade que ele merece.

São Paulo, 14/2/2007

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