01 julho 2008

Ideologia e Verdade

A ideologia significa ciência da formação das idéias. Em filosofia, o conceito tem origem na crise do idealismo hegeliano, em que Karl Marx surge como o seu principal opositor. Dizia: "Não se explica a práxis, partindo das idéias; ao contrário, explicam-se as idéias partindo da práxis (material). De acordo com Marx, portanto, todos os produtos da consciência são "refutados" e "superados" não com outros produtos da consciência, mas com a inversão das relações sociais.

A palavra ideologia nos remete à da classe dominante. A classe dominante formula idéias e conceitos como sendo universais. Karl Marx, por exemplo, desenvolveu toda a sua teoria no pressuposto de que eram a produção e a economia os fatores determinantes de todas as idéias, inclusive as da religião e da filosofia. O que ele fez foi inverter o processo de conhecimento. Ele caiu no mesmo pecado das idéias abstratas dos filósofos idealistas que o precederam, em especial o próprio Hegel.

O ideologismo exagerado tem como meta o desvirtuamento da verdade. George Orwell, com o seu livro 1984, já nos alertava para a gigantografia, em que o Estado dominaria por completo o indivíduo. Era uma crítica ao comunismo stalinista. Para ele, que escrevera em 1948, quando o mundo chegasse em 1984, os cidadãos tornar-se-iam verdadeiros escravos do sistema, dispostos às mais abomináveis traições para servir o Estado. "Mera larva de homens, que vive uma vida desprovida de qualquer sentido". A verdade, de acordo com essa ideologia, não é o que é, mas o que parece ser.

As ideologias têm uma expectativa de vida muito superior à dos seres humanos. Elas são possuidoras de uma idéia-força paradigmática, que acabam convencendo até a mente de renomados cientistas. Lênin dizia: "Os fatos são obstinados. As idéias são ainda mais obstinadas, e os fatos são esmagados por elas com mais freqüência do que as idéias esmagadas pelos fatos". O que conta para a ideologia não é o que é verdadeiro, mas aquilo que acaba sendo apresentado como verdadeiro.

Jesus, porém, coloca-nos uma frase emblemática: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Pergunta-se: Como nos libertarmos da mentira e do erro da ideologia vigente, do pragmatismo e da ascendência da ciência sobre a metafísica? Refletindo sobre a totalidade do ser e o sentido da vida do ser humano sobre a Terra. Cada um de nós tem uma percepção particular da lei natural, uma espécie de sexto sentido que nos faz desviar do mal. Só se chafurdam no erro e na mentira, aqueles que se descuidam do "orar e vigiar".

Despojemo-nos das idéias preconcebidas. Não nos prendamos a qualquer tipo de sistema. Fiquemos com um pé atrás do que a mídia quer nos vender. Agindo assim, estaremos livres dos laços que nos prendem ao erro.

Fonte de Consulta

REALE, Giovanni. O Saber dos Antigos: Terapia para os Dias Atuais. Tradução de Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Loyola, 1999.

São Paulo, 29/8/2005

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