01 julho 2008

Horizontalidade e Verticalidade da Vida

A horizontalidade e a verticalidade podem ser vistas imaginando-se um triângulo equilátero: a base está reservada para a razão, a ciência e a técnica; o vértice para a fé, a intuição e a transcendência. Há que se ponderar tanto um quanto o outro para não cairmos nem nos desmandos intelectuais e nem na adoração infrutífera.

A horizontalidade e a verticalidade podem ser observadas nos diversos atos do nosso dia-a-dia. Quando pensamos em termos horizontais, estamos na superfície do problema, da questão, da discussão. Não conseguimos abrir a noz e verificar o que tem lá dentro. Descrevemos o fato, fazemos contas e raciocinamos, mas não temos capacidade interligar o presente com o passado e o futuro. A ênfase, porém, na verticalidade, permite-nos um maior desdobramento no tempo e no espaço.

A verticalidade é um transcender do Espírito, um desdobrar-se, um conhecer-se a si mesmo em que os valores éticos têm maior importância do que os valores materiais. É uma busca incessante da sabedoria universal, a fim de que a nossa jornada terrena seja repleta de compromissos com a verdade e com os aspectos espirituais da evolução humana. É o rompimento com o homem velho para que o homem novo se desenvolva com o todo o seu fulgor.

A horizontalidade é sempre meio; a verticalidade, sempre fim. Se confundirmos os meios com os fins, longe estaremos de alcançar a nossa verticalidade. Observe a aquisição de um bem material: ele não tem um fim em si mesmo: depende do uso que dele fizermos. Lembremo-nos, por exemplo, da caneta e do papel. Podemos usá-los para propagar a paz e harmonia universais como para gerar o terror, a violência e o medo na população. Por isso, a ponderação e o equilíbrio geram sempre pensamentos de reconforto para toda a população.

É preciso muita perspicácia para não sermos tragados pela horizontalidade da vida. Os passeios, as diversões, os apelos da mídia etc., convidam-nos ao devaneio do espírito. Se lhe dermos mais atenção do que aos arroubos da virtude, logo estaremos cansados e desconcentrados para o estudo sério e reflexivo. Perderemos um tempo precioso em coisas supérfluas e iremos cada vez mais nos distanciando da verdadeira vida, a vida do espírito imortal.

Estejamos sempre atentos e deixemos que a verticalidade do nosso ser nos encaminhe para as realizações a que nós estão reservadas no curso desta existência.

São Paulo, 30/01/2002

Um comentário:

Unknown disse...

Ótimo texto