02 julho 2008

Como Pensar

O pensamento pode ser visto sob vários aspectos: em sentido amplo, é resultado de tudo o que se passa na nossa mente, sem lógica ou veracidade: sonhos, devaneios, imaginação, intelectualidade etc.; em sentido restrito, são as escolhas que o nosso espírito faz para a análise de algumas questões; em sentido mais restrito é aplicação de nossas potencialidades para a resolução de um problema, de uma dificuldade.

Para um desenvolvimento integral da pessoa humana, interessa-nos desenvolver o pensamento reflexivo, que é o pensamento ativo, prolongado e cuidadoso de tudo o que nos vem à mente. Nesse sentido, são elementos do pensamento reflexivo: a) um estado de perplexidade, hesitação ou dúvida; b) atos de pesquisa ou investigação tendo o fim imediato de descobrir outros fatos que sirvam para corroborar ou destruir a convicção sugerida. Em outras palavras, todas as vezes que nos debruçarmos sobre uma questão — de interesse vital para a nossa alma —, a fim de buscar soluções, conexões, ilações, estaremos de posse do pensamento reflexivo.

John Locke (1632-1704) aponta-nos algumas características das convicções errôneas: a) a dependência dos outros — são os que pensam pela cabeça dos outros; b) interesse pessoal — são os que colocam a emoção na frente da razão, sem exame lógico das coisas; c) experiência limitada — são os que se utilizam da razão, mas com uma visão tacanha. Nesta classe estão agrupados os indivíduos que se relacionam apenas com uma casta limitada de homens, lêem livros de determinada espécie e querem apenas conhecer determinadas opiniões: não se aventuram no mar alto dos grandes conhecimentos.

O ato de pensar deve ser enérgico e profundo. Procurando resposta para uma necessidade, uma curiosidade, uma dúvida, um anseio, o pensamento deve ir até as últimas conseqüências, a fim de obter a verdade dos fatos. Quem assim procede vai adquirindo um vasto conhecimento, porque em cada etapa observa, para, pensa, pondera e deixa que os novos ensinamentos se acrescentem aos já adquiridos, de modo que o estoque de conhecimentos vá crescendo de forma suave, mas sempre progressiva.

O tipo de pergunta é bastante importante na relação ensino-aprendizagem. Não são poucos os que perguntam por perguntar, acreditando que estão desenvolvendo o diálogo socrático. Muitas vezes não passa de tagarelice mental. É necessário que as perguntas promovam o aprofundamento do estudo, pois o simples ato de perguntar acaba desviando-nos do tema em questão. É fácil de se observar, quando numa discussão em grupo, deixamos seus componentes à vontade; em pouco tempo, a conversa toma rumo totalmente distinto daquele que foi anunciado anteriormente.

Quer queiramos ou não, estamos sempre envoltos com as sugestões dos jornais, da TV, dos amigos etc. O pensamento enérgico exige renúncia ao comodismo, esforço ao raciocínio e certa solidão interior.

Fonte de Consulta

DEWEY, J. Como Pensamos. São Paulo, Editora Nacional, 1933.


São Paulo, 12/10/2000

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