01 julho 2008

As Etapas da Metodologia Filosófica

A metodologia filosófica nada mais é do que a transformação da reflexão espontânea em pensamento filosófico. Na realidade, ela aplica o que a própria Filosofia prega desde tempos remotos, ou seja, pede que suspendamos as opiniões imediatas e nos mantenhamos afastados das discussões espontâneas, na medida em que estas só nos remetem a nossos preconceitos e a nossas crenças irrefletidas. As etapas da metodologia filosófica são: leitura, explicação, comentário e dissertação. Analisemos cada uma delas.

A leitura de textos é a primeira das etapas, pois sem o alimento não se constrói o conhecimento filosófico. Na verdade, é lendo textos que se aprende a ler os filósofos, não de outro jeito. Na condição de aprendizes de filosofia, devemos nos colocar como vampiros, pois à semelhança destes, devemos sugar os conhecimentos veiculados pelos grandes pensadores da humanidade. Na absorção do conhecimento filosófico, façamos uso tanto da leitura rápida, que tende a ser de superfície, como da leitura profunda, que tende a ser explicativa. 

Da leitura (1.ª etapa) passa-se à explicação (2.ª etapa). Mas o que se entende por explicação? Explicar é enunciar o que há num texto dado, nem mais nem menos. É desdobrar, mostrar o que está exposto, pressuposto, implicado. Aquele que explica deve, assim, ficar no texto e somente nele. Deve colocar-se de forma ingênua, sem preconceitos de nenhuma espécie. Para ser fecundo e produtivo na explicação, deve assinalar os termos e questões importantes, ser explícito e evitar a paráfrase.

O comentário é a etapa seguinte. Convém não o confundirmos com a explicação. Na explicação do texto buscamos saber o que o autor verdadeiramente disse numa dada passagem, enquanto no comentário procedemos a uma interrogação armada sobre o que ele verdadeiramente disse. Nesta etapa devemos procurar estabelecer um diálogo com o autor, concordando ou refutando os seus argumentos. Como o comentário é uma fase mais avançada de compreensão, devemos fazê-lo de modo pausado e, se possível, fundamentando-nos em conhecimentos anteriores precisos, lentamente adquiridos e bem assimilados.

Depois da leitura, da explicação e do comentário chegamos à quarta etapa que, em termos escolares, denomina-se dissertação. A dissertação filosófica é um exercício à parte, mas é o exercício filosófico por excelência. Por que? Por que é nesta fase que o aprendiz tem a oportunidade de apresentar um trabalho por escrito, o qual será lido, avaliado e corrigido pelo professor, pois essas fases constituem as condições elementares da compreensão do exercício, de suas regras e de sua razão de ser.

Aprofundar metódica e filosoficamente o pensamento não é tarefa fácil. Exige um estado de atenção e concentração peculiar e uma disciplina bastante exemplar.

Fonte de Consulta

FOLSCHEID, Dominique e WUNENBURGER, Jean-Jacques. Metodologia Filosófica. Tradução de Paulo Neves. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2002. (Ferramentas)

São Paulo, 10/07/2002

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