27 junho 2008

Opinião e Conceito

Sócrates, filósofo grego da Antiguidade, instituiu um método para a construção do saber, ou seja, o diálogo. O diálogo socrático realizava-se sob dois momentos distintos: a ironia e a maiêutica. Na ironia procurava confundir o interlocutor a respeito do que este julgava saber; na maiêutica instruía sobre o que ele poderia aprender. As perguntas que Sócrates fazia tinha por objetivo aprofundar o tema em questão. Dizia que nada sabia, e por isso perguntava a quem ele julgava que soubesse.

Para Sócrates as opiniões devem ser destruídas. De acordo com o pensamento deste filósofo, o indivíduo, movido pela sensação, vai adquirindo conhecimentos falsos e incorporando muitos vícios ao seu patrimônio intelectual. Acha ele que esses pseudo-conhecimentos são adventícios, e, que uma reflexão mais cuidadosa sobre eles fará o indivíduo mudar de parecer, motivando-o na busca do conceito.

Após confundir o interlocutor sobre aquilo que ele julgava saber (opinião), Sócrates partia para a construção do conceito. O conceito era o resultado das perguntas que ele fazia com o objetivo de aprofundar o tema em questão. Penetrava no âmago do problema, sem contudo ter a pretensão de descobrir a verdade total. Pelo contrário, indo até às últimas conseqüências, deixava sempre um campo aberto para posteriores pesquisas.

O método socrático, como vemos, é o de perguntar. A avaliação pedagógica atual está muito mais interessada nas respostas do que nas perguntas dos alunos. Aliás, a maioria dos testes psicotécnicos medem a capacidade de responder; poucos, a de perguntar. Por isso, diz-se que as pessoas deveriam ser avaliadas pelas perguntas que fazem, e não somente pelas respostas que dão. É que as perguntas revelam o caráter espontâneo do indivíduo, enquanto a resposta aquilo que ele tira do livro.

A apreensão do conceito, sendo racional, deveria encaminhar o indivíduo para a prática da virtude, pois a razão não pode conceber a Verdade à parte do bem. Conceber as pessoas dentro da totalidade, imaginando-as como parte integrante de uma população cósmica e espiritual, é de suma importância para a ampliação de nossa visão com relação ao "eu", ao "outro" e ao "nós".

Renunciemos às nossas opiniões particulares. Posteriormente, procuremos descobrir o conceito que se oculta por trás das coisas sensíveis. Esta é a regra áurea para bem conduzir o nosso pensamento na busca da verdade.

Fonte de Consulta

GRISI, R. Didática Mínima. 13. ed., São Paulo, Editora Nacional, 1988 (Atualidades pedagógicas, volume 84).

São Paulo, 20/01/1997

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