29 junho 2008

O Ensino de Filosofia

O ensino de filosofia pode se desenvolver em dois sentidos: como produto e como processo. Como produto, foi o que se consolidou ao longo do tempo. Nele estão enquadrados os textos filosóficos e a história da filosofia. Mais especificamente, o produto filosófico diz respeito ao contato com o pensamento de Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Kant e outros. Como processo, por sua vez, refere-se aos temas filosóficos, entre os quais, citamos: origem de Deus, livre-arbítrio e determinismo, justiça etc.

A filosofia pode ser ensinada através de diversos métodos: a exposição, a interrogação, a exposição dialogada, a leitura e análise de textos, a análise linguística e o estudo dirigido. Dentre tais métodos, a exposição dialogada, conhecida também como "método socrático", é a que mais se adapta aos anseios da filosofia. Por que? Por que é através do diálogo, ou seja, de perguntas e respostas, as quais dão uma direção determinada ao tema escolhido. Era o que fazia Sócrates. Primeiramente usava a ironia, para confundir; depois, a maiêutica, para explicar, para aprofundar.

Todo o método tem suas vantagens e desvantagens. Cabe-nos saber utilizá-los com critério e bom senso. O método expositivo, por exemplo, permite a unidade e a comunicação de muitos conhecimentos em pouco espaço de tempo. Tem, contudo, a desvantagem de deixar o ouvinte numa posição de inatividade, caso o assunto não lhe interesse. O interrogativo permite constantes perguntas, mas pode transformar-se em pseudodiálogo, caso a maioria dessas perguntas seja de caráter fechada.

Optando pelo ensino de filosofia através do método da exposição dialogada, o facilitador de aprendizagem deve possuir mente aberta e receptiva. Sua função é conduzir a reunião de modo que todos os membros de um grupo possam participar da elaboração gradual dos pensamentos. Não pode ser a pessoa que quer ensinar tudo, pois a sua tarefa consiste em coordenar o pensamento do grupo, o que não é tarefa fácil, convenhamos. É que geralmente queremos passar aos outros aquilo que arduamente nos empenhamos por aprender.

O coordenador deve também conhecer algumas técnicas de liderança de grupo. Muitas vezes a reunião se torna incontrolável, confusa, com participantes falando alto demais. O que fazer? Dependendo da situação, convém não interromper o fluxo energético do grupo. Contudo, é necessário tomar consciência daquilo que está acontecendo e não simplesmente deixar que as coisas caminhem a seu bel prazer. Lembremo-nos de que nem sempre toda discussão acalorada é sinal de bagunça. Quando algo acontece, não queiramos que seja diferente, defendendo A ou B. deixemos simples que o fato penetre livre e solto em nosso subconsciente, sem julgar ou recriminar. O tempo se encarrega de colocar as coisas no seu devido lugar.

Tenhamos em mente que o papel da filosofia não é ensinar alguém a pensar ou mesmo mudar de comportamento, mas fazer as pessoas pensarem melhor. E se cada um de nós pensar melhor, estaremos modificando o nosso modo de atuar em sociedade.

Fonte de Consulta

SOUZA, Sonia Maria Ribeiro de. Um Outro Olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

São Paulo, 13/4/2005

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