18 junho 2008

Ideologia

O termo ideologia foi criado por Destut de Tracy, em seu livro Ideólogie, de 1801, para designar “A análise das sensações e das ideias”, segundo o modelo de Condillac. Floresceu na primeira metade do século XIX e marca a transição do empirismo iluminista para o espiritualismo tradicionalista. O sentido depreciativo surgiu em virtude das hostilidades entre alguns ideologistas franceses e Napoleão. Este os identificou como “sectários” ou “dogmáticos”, pessoas carecedoras de senso político e, em geral, sem contato com a realidade.

A partir de fins de 1800, começa a surgir o significado moderno da ideologia. Quer se mostrar que uma análise filosófica é destituída de validade objetiva, mas mantida pelos interesses de quem as professa. Pareto, por exemplo, afirma que a ideologia corresponde à noção de teoria não-científica, entendendo-a como qualquer teoria que não fosse lógico-experimental. Acha ele que uma teoria científica não tem o objetivo de persuadir, mas de ser objetiva, ou seja, de retratar o que a coisa é e não o que deve ser.

A persuasão, a utopia e a lógica se entrelaçam na distinção entre ciência e ideologia. A persuasão visa ganhar adeptos para uma dada causa, quer seja justa ou não. A utopia procura vislumbrar um cenário futuro, destituído de cunho científico. A lógica fornece as leis ideais do bem pensar. A ciência pertence ao campo da observação e do raciocínio; a ideologia ao campo do sentimento e da fé. Desta forma, torna-se impossível conciliar a verdade com a persuasão.

Em geral, a ideologia é toda crença usada para controle dos comportamentos coletivos. A crença aqui é usada como sinônimo de compromisso de conduta, que pode ter ou não validade objetiva. O que transforma uma crença em ideologia não é a sua validade ou falta de validade, mas unicamente sua capacidade de controlar comportamentos em determinadas situações. Para tanto, as repetições de estímulos através dos slogans, como acontece nas campanhas políticas, pode ser muito utilizado pelos ideólogos.

Em meados do século XIX, a ideologia passou a ser fundamental no marxismo, sendo um dos postulados básicos na sua teoria sobre a luta de classes. Em a Sagrada Família (1845) e a Miséria da Filosofia (1847), Marx afirma que as crenças religiosas, filosóficas, políticas e morais dependiam das relações dos meios de produção, principalmente do fator trabalho. Esta é a tese central encontrada no materialismo histórico, desenvolvido por Marx e Engels no livro O Capital, cujo primeiro volume surgiu em 1867.

Presentemente, por ideologia entende-se o conjunto dessas crenças, sempre no sentido depreciativo e não mais como “a análise das sensações e das ideias”.

Fonte de Consulta

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

São Paulo, 18/6/2008

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