30 junho 2008

A Filosofia do Século XX e sua Repercussão no Brasil

O Brasil, ao longo se sua historia, recebeu influência de diversas correntes filosóficas. O presente estudo está concentrado em cinco: neotomismo, neokantismo, neohegelismo, marxismo e positivismo de Comte.

O neotomismo é o movimento filosófico que começa no século XIX como "um retorno à doutrina de Tomás de Aquino" ou revalorização do aristotelismo de Tomás de Aquino. No Brasil, o primeiro marco é a fundação da Faculdade de Filosofia S. Bento, em São Paulo, pelos monges beneditinos, em 1908. Durante o período republicano circunscreveu-se a reduzido número de intelectuais, por causa do desprestígio da Igreja. Somente na década 20 do nosso século retomaria o "o surto tomista". Dentre os propagadores dessa filosofia, citamos: Jacques Maritain, Leonardo Van Acker, Alexandre Correia (1890), Maurício Teixeira Leite Penido (1845) e Eduardo Prado de Mendonça.

O neokantismo é a tendência de superar o pensamento positivista do século XIX retornando à filosofia crítica de I. Kant. Miguel Reale aponta quatro momentos em que o Kantismo penetrou no Brasil: a) o Kantismo às vésperas de nossa Independência Política; b) Kant exerceu influência em São Paulo através do krausismo, ou seja, além da repercussão filosófica tinha também um cunho político; c) Tobias Barreto difundiu o conceito de Kantismo, na Escola de Recife; d) por último, em nosso século a influência do neokantismo ocorre, sobretudo, no campo da Filosofia do Direito, na teoria do conhecimento, na teoria da História e na redução da Filosofia à uma mera teoria da ciência.

O neoidealismo ou neohegelianismo é um movimento de reação contra o positivismo, baseado num idealismo gnoseológico. Enquanto o neokantismo põe limite ao pensamento, o neoidealismo amplia-o ao infinito. Luis Castagnola considera Renato Cirell Czerna, discípulo de Miguel Reale, o cultor do idealismo no Brasil. Além de Renato Cirell, Romano Galeffi, professor de Filosofia da Arte na Universidade Federal da Bahia, e Otto Maria Carpeaux, austríaco exilado no Brasil, contribuíram para o desenvolvimento das ideias hegelianas aqui em nossa terra.

O marxismo é a doutrina dos filósofos alemães Marx e Engels, fundada no materialismo dialético, na luta de classes e na relação capital trabalho. É impossível acompanhar todas as traduções de obras de autores marxistas publicadas em nosso país. De acordo com Antonio Paim, em seu livro História das Idéias Filosóficas no Brasil, o marxismo jamais despertou, no Brasil, qualquer movimento teórico de envergadura, nem depois da formação do partido político que pretende encarná-lo. Entre os pensadores marxistas brasileiros, lembramos de Caio Prado Jr. e Leôncio Basbaum.

O positivismo é o conjunto de doutrinas de Auguste Comte caracterizado, sobretudo, pelo impulso que deu ao desenvolvimento de uma orientação cientificista ao pensamento filosófico. A influência do Positivismo no Brasil perdura até hoje, principalmente na Religião e na Política. O regime político-militar instaurado em 1964, em sua concepção geral, é de inspiração positivista. Durante o Império e o início da República, o positivismo conseguiu uma expressão maior no Brasil que na própria França. Constituiu-se em verdadeira Religião. Augusto chegou a ser venerado pelos positivistas da mesma maneira como os católicos veneram Jesus Cristo.

Como vemos, as idéias não têm pátria. Pode nascer em um lugar, mas o seu desabrochar depende de tempo e circunstância.

Fonte de Consulta

ZILLES, U. Grandes Tendências na Filosofia do Século XX e sua Influência no Brasil. Caxias do Sul, EDUCS, 1987.

São Paulo, 29/07/1998

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