30 junho 2008

Filosofia do Espírito

Filosofia do Espírito é uma disciplina filosófica que trata dos fenômenos mentais, ou seja, dos fenômenos que envolvem exclusivamente seres capazes de consciência. A Filosofia do Espírito entrelaça-se com outras áreas da Filosofia. Por exemplo, quando a filosofia das artes trata de experiências estéticas, a da teoria do conhecimento de experiência sensorial, a da religião de experiências místicas, todas encontram-se com a Filosofia do Espírito. A Filosofia do Espírito, que é hoje freqüentemente chamada de psicologia filosófica, relaciona-se também com a Psicologia (ciência empírica). Quer dizer, enquanto a primeira trata da análise dos conceitos da consciência e de fenômenos mentais específicos, a segunda procura estudar empiricamente os fenômenos a que se referem tais conceitos de preferência à investigação conceptual de tais conceitos.

A Filosofia do Espírito foge da divisão tripartida, a qual classifica os fenômenos mentais em cognição, afeição e volição. Suas contribuições mais importantes têm dado ênfase à descoberta das diferenças entre os fenômenos que até aqui tem sido considerados como pertencentes à mesma espécie. Observe que o prazer e a dor são freqüentemente considerados como extremidades opostas de uma única dimensão de sensação que só se distinguem pela gradação. Já os filósofos contemporâneos, tendo à frente Gilbert Ryle, chamaram a atenção para o fato de que enquanto a palavra "dor" é o nome dado a uma sensação do corpo, o "prazer" já não é o nome de uma sensação. É que a dor é local, enquanto o prazer não o é.

O problema da autoconsciência do homem já vem de longa data. Desde Sócrates com o conhecimento de si mesmo, passando pelos psicólogos com a auto-análise, estamos sempre preocupados com a volta do ser para sobre si mesmo. Se quiséssemos resumir esses dois mil e quinhentos anos, veríamos que todos estudos da consciencização se enquadram nos relatos da 1ª pessoa, que resulta das coisas que se passam conosco e o relato na 3ª pessoa ou coisas que se passam com os outros.

A consciência, como vimos acima, implica estudá-la sob a ótica da 3ª e da 1ª pessoa. Analisando-a na 3ª pessoa, notamos que ela leva em conta o que o outro sente ou diz sentir; na 1ª pessoa, é o próprio ser que a exprime. Assim, quando eu sinto dor, é um estado íntimo, mas quando o outro diz que a sente é um comportamento. Quer dizer, a dor para nós é real, enquanto para o outro é apenas uma impressão daquilo que estamos lhe contando. Por isso, a dificuldade de olharmos os outros pelo nosso prisma pessoal. Será que a dor que ele sente é a mesma que eu estou supondo que ele está sentindo?

A Filosofia do Espírito trata também da ação. Poderíamos perguntar: o que leva uma pessoa a mover uma peça no jogo de xadrez? É substancialmente o conhecimento das regras desse jogo. Então, de acordo com as regras, a minha ação envolve três assertivas: boa, má ou indiferente. Será boa quando contribuir para eu vencer o adversário; má, quando eu permitir que ele me vença; indiferente, quando se move uma peça por mover. Do mesmo modo são os nossos atos com relação ao semelhante. Podemos fazer-lhe o bem, o mal ou sermos indiferentes.

A Filosofia do Espírito é uma filosofia do consciente. Não resta dúvida que para a exercitarmos fielmente, devemos ser cada vez mais conscientes de nós mesmos.

Fonte de Consulta

SHAFFER, J. A. Filosofia do Espírito. Rio de Janeiro, Zahar, 1970.

São Paulo, 25/03/1998

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