30 junho 2008

Filosofia Cristã

Até a vinda de Cristo, a Filosofia, em sentido histórico, seguia o seu curso normal, ou seja, cada novo filósofo acrescentava algo ao anterior. Foi desta maneira que do método socrático, passamos à dialética platônica e desta à lógica aristotélica. Em termos de idéias, Platão e Aristóteles assumem papel relevante, pois os conhecimentos por eles proferidos servem ainda de bálsamo para mitigar o niilismo dos dias atuais.

Cristo não veio à Terra para acrescentar algo à filosofia existente; sua missão consistia em desvendar os mistérios do reino dos céus consoante a revelação divina. A denominação de filosofia cristã, cujo problema central é a conciliação das exigências da razão humana com a revelação divina, nada mais é do que a filosofia que, influenciada pelo cristianismo, predominou no Ocidente, principalmente na Europa, no período que se estende do século I ao século XIV de nossa era. Compreende dois períodos distintos: a filosofia patrística (séc. I ao V) e a filosofia escolástica (séc. XI ao XIV).

A filosofia patrística, que vai do século I ao V, foi influenciada por Platão. O apogeu desta filosofia teve o contributo de Santo Agostinho (354-430), o maior filósofo da era patrística, e que marcou mais profundamente a especulação cristã. Santo Agostinho reinterpreta a teoria das idéias de Platão, modificando-a em sentido cristão para explicar a criação do mundo. Deixou formulado - indicando o caminho para a sua solução - o problema das relações entre a Razão e a Fé, que será problema fundamental da escolástica medieval. Ao mesmo tempo demonstra claramente sua vocação filosófica na medida em que, ao lado da fé na revelação, deseja ardentemente penetrar e compreender com a razão o conteúdo da mesma.

A filosofia escolástica, que vai do século XI ao XIV, foi influenciada por Aristóteles. São Tomás de Aquino (1221-1274) representa o apogeu desta filosofia na medida em que conseguiu estabelecer o perfeito equilíbrio nas relações entre a Fé e a Razão, a teologia e a filosofia, distinguindo-as mas não as separando necessariamente. Ambas, com efeito podem tratar do mesmo objeto: Deus, por exemplo. Contudo, a filosofia utiliza as luzes da razão natural, ao passo que a teologia se vale das luzes da razão divina manifestada na revelação.

As causas da decadência da escolástica são externas e internas. As causas externas são principalmente as condições sociais, políticas e religiosas da época que suscitaram o desenvolvimento do individualismo, do liberalismo e do racionalismo. As causas internas são, sobretudo, a inexistência de espíritos criadores, a paixão pelas sutilezas inúteis, o desprezo pela forma e a hostilidade de alguns filósofos contra as ciências experimentais que, nessa ocasião, começavam a florescer.

A filosofia cristã influenciou o pensamento da humanidade por muitos e muitos anos. Saibamos interpretá-la de modo racional, a fim de que não sejamos tragados pelos silogismos veiculados pelos seus pensadores.

Fonte de Consulta


REZENDE, A. (Org.). Curso de Filosofia: para Professores e Alunos dos Cursos de Segundo Grau e de Graduação. 6. ed., Rio de Janeiro, Zahar, 1996.
SANTOS, T. M. Manual de Filosofia - Introdução à Filosofia Geral - História da Filosofia - Dicionário de Filosofia. 10. ed., São Paulo, Editora Nacional, 1958.

São Paulo, 21/02/2001

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