29 junho 2008

Expressão Filosófica

A expressão filosófica nada mais é do que a comunicação das idéias e pensamentos dos filósofos. Um determinado pensador tem os seus insights: anota o ocorrido, elabora um texto e torna-o público para que outras pessoas possam tomar conhecimento. Não deve fazê-lo nem por orgulho e nem por vaidade, mas sim por um sentimento de solidariedade para com os demais seres humanos. É sobejamente sabido que devemos dar de graça o que de graça recebermos.

Como surgem as ideias? Como se formam os pensamentos? Primeiramente, há uma captação mental. Tem-se a impressão de que as idéias jorram do cosmo, do universo, do alto. Muitas vezes é a resposta a uma dúvida, a um temor ou a uma necessidade vital e peremptória. A dificuldade começa quando essas idéias têm que ser transformadas em palavras, pois o filósofo nem sempre tem à sua frente um termo adequado para exprimi-las. Por essas e outras razões, a linguagem filosófica acaba se tornando abstrusa, confusa.

O filósofo é eminentemente teórico. Por isso a frase homo teoreticus. Ele não está preocupado com a prática. Quer captar, através da contemplação, a verdade dos fatos, tornando-se assim incompreensível aos seus semelhantes. Sobre esta questão, há uma interessante observação de Platão: "Enquanto observava as estrelas, olhando para o alto, Tales caiu em um poço. Presenciando o acontecido, uma espirituosa serva trácia diz-lhe gracejos: ele queria saber o que havia céu, mas permanecia-lhe oculto o que estava diante dele e a seus pés".

As críticas literárias ao discurso filosófico são muitas vezes injustas. O literato escreve com facilidade os seus longos pensamentos a respeito de um determinado assunto. O filósofo, por sua vez, ao se aprofundar num tema de sua predileção, quer ser rigoroso não só nas palavras como também no raciocínio. Como sua função não é contar histórias nem transmitir informações, acaba por tornar o texto de difícil compreensão. Isso, contudo, não invalida a verdade que está perscrutando.

Dialeticamente considerado, o mais abstrato leva ao mais concreto. Por que? Por elevar-se do concreto ao abstrato, acerca-se ainda mais da verdade, com maior profundidade e exatidão, pois reflete a realidade objetiva não já na sua aparência sensível, mas nas suas relações internas, na sua estrutura. Observe que quando estamos exercitando os nossos pensamentos, estamos, na realidade, exercitando as nossas mãos. O pensamento tem intrinsecamente a sua prática.

Expressemo-nos tais quais somos. Por que temer a crítica? Tal como é necessário que uma árvore dê frutos, é necessário que criemos pensamentos. Que nos importa se serão agradáveis ou não?

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