29 junho 2008

Esporismo

O ser, ontologicamente considerado, é um esporo, um embrião, uma semente, um sa-en, isto é, um ser em si, que vai ao encontro do sol-en, o seu objetivo na vida. Nesse sentido, a sociedade deveria fornecer os meios necessários para que cada ser pudesse atualizar as potencialidades de sua essência. Se cada ser preocupar-se intensivamente com a sua tendência inata, haverá um ganho para toda a sociedade, pois aquele que tiver a tendência para construção será um pedreiro, aquele que tiver tendência para a política será um político, aquele que tiver tendência para medicina será um médico etc.

Na atualização das potencialidades do ser surge a divergência entre fatalidade e livre-arbítrio. De acordo com Mário Leal em seu livro Esporismo, "é sabido que 66% da Lei Natural é fatalidade mas que há uma porcentagem de 33% de livre-arbítrio". Nascemos, assim, num meio ambiente determinado: família, país, condições sociais etc. Esta é a fatalidade; o livre-arbítrio consiste na liberdade de escolha que podemos fazer dentro desta situação predeterminada. É, pois, através do livre-arbítrio que cometemos erro em relação à Lei Natural, o qual deverá ser acertado para que possamos evoluir no bem.

A questão econômica é também uma preocupação do esporismo. De acordo com esta doutrina, as empresas só poderiam crescer até um teto-limite. A partir daí, deveriam expandir através de novas unidades, que seriam oferecidas a 3 ou 5 de seus empregados, interessados em abrir negócio próprio. O estoque de riqueza não se concentraria somente nas mãos dos capitalistas e socialistas, mas seria diluído no seio da sociedade de forma mais justa e equitativa. Além disso, coibiria a brutal exploração que os grandes detentores de renda exercem sobre a população das nações mais pobres.

O sistema escolar, para o Esporismo, deve ser tríplice: um curso de segundo grau técnico científico, outro segundo grau de cultura humanística e um terceiro profissionalizante-prático, do aprender fazendo. Em sendo assim, não há necessidade de todos cursarem uma faculdade, pois se assim o fizerem não haverá mercado de trabalho para todos. O correto é cada um seguir a sua tendência. Se nossa tendência inata é ser um técnico, sejamo-lo cem por cento; se professor, também.

O ser humano, para ser verdadeiramente feliz, deve atualizar a sua essência-potência. Caso a mascare conforme os condicionamentos da sociedade, não conseguirá atender à totalidade de sua vocação, que é a potencialidade latente. Nesse sentido, um pintor inato poderá realizar-se como torneiro-mecânico, contudo estará desviado do seu caminho natural. Não resta dúvida que contribuirá com a sociedade, mas não será um esporo social que desabroche na plenitude do relacionamento do gregário humano.

Urge atualizarmos as nossas tendências inatas. Somente assim construiremos uma sólida personalidade, alicerce seguro para nossas ações no seio da sociedade.

Fonte de Consulta

LEAL, M. L. Esporismo: A Ordem Natural Econômica e Social. Porto Alegre, Caravela, 1985.
São Paulo, 10/02/1999

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