29 junho 2008

Erro Filosófico

O erro filosófico pode ser atribuído ao afastamento dos métodos seguros, à elaboração de postulados infundados e à colocação de dúvidas mal esboçadas. Não são poucos os filósofos que, querendo alcançar fama, acabam confundindo as idéias dos que lhes ouvem. É importante saber distinguir o falso do verdadeiro, o superficial do profundo. A Filosofia não é invenção de um homem. Ela representa o arcabouço histórico de todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram para positivar os conhecimentos acerca do homem, da natureza e de Deus.

O conceito de conceito dado por Descartes é um dos primeiros erros. Para Descartes o conceito equivale à ideia, o que gerou uma série de confusões na cabeça de muita gente. Partindo da cognição e da intencionalidade, temos melhores condições de absorver a verdade do conceito. A cognição é um ato imanente (consciente) do sujeito com relação ao objeto. A mente tende para o objeto, ou seja, é intencional. A intencionalidade é algo de que as coisas são feitas. Fugir ou obnubilar a intencionalidade é confundir, é estar em erro.

O erro devido à intencionalidade é reduzir tudo à matéria. Quando uma pessoa conhece ela capta o objeto, o qual pode ser de ordem material ou formal. Sendo material, temos a intuição sensível; sendo formal, temos a representação mental. Há muitas coisas que não conseguimos ter um prova material, mas nem por isso a prova intelectual (representação mental) deixa de ser verdadeira. Por exemplo, o tempo não comporta uma prova material (ser apalpado), mas sim uma prova formal. Quer dizer, não podemos pegar o tempo na mão, mas intui-lo através do pensamento.

A abstração, que consiste em tomar separadamente, pela mente, o que na coisa está junto com as outras é também fonte de erro. A abstração é um modo de conhecimento imperfeito, mas nem por isso falso. Um conhecimento pode ser menos perfeito ou mais perfeito, mas não quer dizer que seja falso. Se atribuímos falsidade a toda e qualquer abstração, então o nosso pensamento estará elaborando em erro. É preciso ficar atento às relações entre a parte e o todo.

Captar ideias claras não é tão fácil quando à primeira vista parece. Preferirmos nos deitar no berço vaidade, saindo por aí pregando idéias novas, desconhecendo que essas idéias novas já foram refutadas pelos filósofos de modo peremptório. Observe a ideia de Deus. A intencionalidade de Deus é ser soberanamente bom, justo, todo poder, toda perfeição. Querer uma prova material (figura de Deus) é desfigurar a intencionalidade que o conceito já positivou.

Tenhamos a mente livre dos preconceitos. Só assim poderemos captar inteiramente o objeto que se nos apresenta.

Fonte de Consulta

SANTOS, M. F. dos. Origem dos Grandes Erros Filosóficos - Erros Crítico-Ontológicos. São Paulo, Matese, 1965.

São Paulo, 07/07/1999

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