29 junho 2008

Descartes e o Método

O cartesianismo – proveniente de Descartes – é considerado, por muitos historiadores da filosofia, como a passagem da filosofia do renascimento à moderna. Descartes, em seu Discurso do Método, enfatiza as duas armas necessárias à concretização do seu programa de conhecimento: liberdade do arbítrio e a disciplina consciente a que deve livremente se submeter para conhecer segundo a razão. Ao lado desses dois, acrescenta um terceiro: Deve haver uma razão em nós e no mundo, sem o que não seria possível nem proveitoso dispor de nossa liberdade e de nossa disciplina para conhecer.

A filosofia de Descartes foi desenvolvida fora da universidade. Por isso, suas críticas ferrenhas aos postulados escolásticos, ligados à tradição. Começou com correspondências, que enviava a vários pensadores da época. Somente depois, transformou essas discussões num tratado. Além do mais, o Discurso do Método foi escrito originariamente em francês, contrariando o hábito da época, que era o de escrever textos filosóficos e científicos em latim.

Descartes se propõe buscar a solução a partir do problema. Desejava encontrar, por si mesmo, uma solução evidente que permitia reorganizar nossos juízos e separar neles o falso do verdadeiro. Dizia: "Na menor dúvida tome algo por falso"; "prefira errar dizendo que uma coisa é falsa a errar dizendo que ela é verdadeira". Daí, as suas quatro célebres regras, cujo objetivo era auxiliar a resolução de qualquer problema, porque as regras tinham um caráter geral e não técnico.

Em suas regras, chama-nos a atenção sobre a precipitação e a prevenção, dois graves erros que cometemos na busca do conhecimento. A precipitação é a tendência de julgar mais rápido do que o recomendável; a prevenção, a tendência a evitar a responsabilidade de um juízo, seguindo uma opinião pré-fabricada. Toma, assim, a resolução de se desfazer de todas as opiniões que recebera até então. Faz tábua rasa e começa o seu labor para conhecer a verdade das coisas.

Em suas lucubrações filosóficas, diz que o pior precipitado não é aquele que erra dizendo "isso é falso"; é o que erra dizendo "isso é verdadeiro". Afirma que há apenas um instrumento para resgatar as verdades que porventura tenham sido rejeitadas inicialmente: são as evidências. Em seu modo de ver as coisas, achava que somos livres para aceitar o falso, para errar. Podemos, ainda, impor os nossos erros aos outros, bastando termos força ou engenho suficientes para isso.

Uma análise detalhada de cada regra do seu Discurso do Método auxiliar-nos-á a melhorar a nossa maneira de pensar e de buscar, por nós mesmos, o conhecimento que necessitamos.

Fonte de Consulta

VIEIRA, Paulo Neto. Descartes e o Método da Filosofia. In FIGUEIREDO, Vinicius de (Org.). Seis Filósofos em Sala de Aula. São Paulo: Berlendis & Vertechia, 2006.

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