29 junho 2008

Conhecimento e Interpretação

O fato é algo que se nos apresenta. Está à nossa frente e não o podemos negar. Se o dia amanhece chuvoso, não podemos dizer que ele está ensolarado, porque haveria uma contradição entre a observação e as palavras usadas para descrevê-lo. Há, contudo, fatos e fatos, e nem sempre eles aparecem tão claros quanto ao exemplo citado. Por isso, dizemos que o fato é objetivo e sua interpretação subjetiva.

Há, assim, uma realidade e a sua interpretação. A interpretação, porém, é utilizada muito mais para torcer os fatos do que para descrevê-los corretamente. Observe as religiões materialistas. O que é que os seus propagadores fazem? Eles tisnam a pureza doutrinária do Cristo tendo em vista o enriquecimento pessoal. Fazem-no, muitas vezes, ludibriando as mentes mais ingênuas e ansiosas por consolações celestes. Estes, premidos pela dor e sofrimento, apegam-se a qualquer solicitação, desde que haja promessa de cura e de salvação da alma.

Como intuir a verdade, se a nossa interpretação torce os fatos? Para que tenhamos uma percepção mais acurada da verdade, não deveríamos tentar descobri-la, mas, à semelhança de Descartes, descobrirmo-nos para ela. E o que isto significa? Significa que deveríamos manter as nossas mentes limpas de preconceitos, de interesses pessoais, de egoísmo. Se o nosso vaso estiver limpo, tudo o que nele é depositado, é depositado de maneira pura. Não basta nos sentarmos para ouvir; precisamos estar despertos para a audição.

Descobrindo-nos para a verdade, vamos nos tornando mais simples de coração e mais propensos à captação dos conhecimentos superiores, que os Espíritos mais elevados querem nos transmitir. E como somos intermediários – e não criadores – dessas instruções, a lógica do raciocínio pede-nos cautela contra a vaidade e o orgulho, dois grandes vícios que podem nos cegar a visão crítica de nós mesmos. O "sei que nada sei" de Sócrates é mais produtivo.

A busca do conhecimento superior reveste-se de uma atitude de simplicidade. Está assentada na palavra do Cristo que prometia revelar os conhecimentos espirituais da Boa Nova aos pobres de espírito e não aos orgulhosos, os doutores da lei. É que as verdades mais profundas devem ser cavadas com o sentimento e não simplesmente com a lógica do raciocínio. Sintamos primeiramente Deus dentro de nós; depois, tornemo-Lo racional em nossos pensamentos.

Assim, quanto mais estivermos atentos sobre nós mesmos, mais aptos estaremos para receber as orientações evangélicas do Mestre Jesus.

São Paulo, 09/04/2003

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