27 junho 2008

Complexidade do Mundo

Complexidade é a qualidade do que é complexo, ou seja, aquilo que encerra muitos elementos ou partes, que pode ser observável sob vários aspectos. A ciência tenta definir satisfatoriamente a complexidade: vale-se da mudança e da relação entre os todos e suas partes. Além do mais, sempre que a ciência pensa no complexo ela o vê pela sua simplificação.

Desde a criação da ciência muita coisa mudou, exceto uma: o amor pelo simples. Descartes, por exemplo, ao elaborar o seu método, fá-lo partindo do simples para o complexo. Por outro lado, Whitehead diz-nos: "A ciência deve buscar as explicações mais simples dos fenômenos mais complexos". Já Ockham escreve: "Se duas fórmulas de comprimento diverso explicam o mesmo fenômeno com igual mérito, a mais curta é verdadeira, falsa a outra".

O que faz uma pessoa buscar o desconhecido? É a complexidade que se expressa como uma inquietude. Quando somos capazes de não apressá-la, temos condições de obter conhecimento. Mas como na maioria das vezes temos muitos assuntos para serem resolvidos, acabamos não nos concentrando no motivo central de nossa inquietação. Daí, esse marasmo no campo das percepções superiores. É que as solicitações superficiais do dia-a-dia não nos permitiu um voo mais fecundo do nosso espírito.

O conhecimento é construído através dos estímulos, que podem ser brandos ou duros. Os estímulos brandos são aqueles que provém das sugestões externas, dos livros que se nos apresentam, das conversas que participamos, das conferências que ouvimos etc. Os estímulos duros são aqueles que saem do nosso interior. É a escolha deliberada em seguir um dado caminho na vida. Estes podem, no princípio, vir de uma sugestão externa, mas a construção é fruto de um árduo trabalho interior.

O conhecimento deve provir muito mais das perguntas do que das respostas. A resposta é uma adaptação enquanto a pergunta é uma rebelião. Em ciência nem todas as perguntas têm sentido. Para o filósofo, em princípio, qualquer pergunta é lícita, pois sofre quando uma inquietude de sua alma nem sequer é formulável. Se quisermos saber, convém adquirirmos o hábito de perguntar. Só assim edificaremos o conteúdo de conhecimento que diz respeito à nossa própria essência.

Em fim, somente uma alma viril consegue atender ao clamor de sua própria consciência. Esta é a grande mensagem que os homens famosos nos ensinaram ao longo de suas vidas.

Fonte de Consulta

WAGENSBERG, J. Ideas Sobre la Complejidad del Mundo. 2 ed., España, Tusquets Editores, 1989.

São Paulo, 09/06/1998

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