27 junho 2008

Ciência, Filosofia e Religião

A distinção entre filosofia, ciência e religião é um dos temas que mais dão margem a polêmicas, aparentemente infindáveis. Não conseguimos perceber que os termos estão interligados e, por isso, não somos capazes de analisar qualquer assunto sob estes três ângulos. Pode-se começar por um arroubo da fé; depois, adere-se às lucubrações da filosofia; finalmente, tenta-se provar que aquilo que estamos idealizando tem base sólida. Se uma pessoa se cristaliza num dos vértices deste triângulo, acaba por deformar a sua visão de mundo.

A ciência moderna, como a conhecemos presentemente, tem sua origem nas especulações feitas, em meados do século XVI, pelo cônego polonês Nicolau Copérnico, o qual colocava o Sol no centro do Universo. Um dos pontos culminantes das disputas entre religião – representada pela Igreja Católica – e ciência – representada pelo projeto de física-matemática –, ocorreu com a condenação em 1633 do astrônomo, matemático e filósofo natural Galileu Galilei.

A condenação de Galilei, feita pela Igreja, é compreendida por muitos como um atentado à liberdade de pensamento. O que pouco se comenta é que Galileu era um católico fervoroso, que temia desobedecer às regras da Igreja. Na realidade, ele queria encontrar um elo de ligação entre ciência e religião, sem que houvesse perdas para ambas. Seu lema era: "a fé ensina como ir para o céu; a ciência como vai o céu". Talvez tenha sido o fato de nunca ter procurado desobedecer à Igreja Católica que levou Galilei a aceitar – ao menos para o mundo externo – a pena de prisão domiciliar perpétua.

O Iluminismo francês, movimento político-intelectual muito forte e presente em toda a Europa durante a segunda metade do século XVIII, foi um dos responsáveis por essa interpretação da condenação de Galileu. Para defender a tese de que o ser humano é capaz de descobrir as verdades do mundo externo, sem precisar recorrer a Deus, o iluminismo se apóia no episódio de Galileu, no sentido de mostrar que a palavra teologia (ou religião) é sinônima de atraso. A supremacia da razão, em detrimento da fé e da filosofia, inverte os valores humanos. Consequência: o mundo se torna materialista.

Onde está a verdade? Na fé? Na ciência? Na filosofia? A verdade não se encontra em nenhum lugar específico: ela está em toda a parte. Se o homem percebesse que as leis naturais, criadas por ele, nada mais são do que representações do vasto mundo real, ele procuraria conter os seus desmandos intelectuais. Temos necessidade da coexistência entre filosofia, ciência e religião. São as três vertentes essenciais do conhecimento humano. Somente elas poderão nos proporcionar o perfeito equilíbrio de nossas ações.

Por mais que a ciência dê a sua contribuição, ela sozinha será sempre um conhecimento parcial, tal qual um corte na realidade. Para vê-la totalmente, devemos adicionar a intuição trazida pela fé e a lógica trazida pela filosofia.

Fonte de Consulta

STOEGER, William R. As Leis da Natureza: Conhecimento Humano e Ação Divina. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulinas, 2002. (Coleção Religião e Cultura).

São Paulo, 21/3/2005

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