27 junho 2008

Ciência Cognitiva e Mudança de Mentalidade

A ciência cognitiva diz respeito, entre outros aspectos, à mente e à mentalidade. Como nos dias que correm, cresce o número de pessoas que acreditam que a sobrevivência do ser humano neste planeta depende de uma profunda mudança em sua mentalidade, Humberto Mariotti, médico psicoterapeuta, procura mostrar, em artigo à Revista Eccos, uma epistemologia diferente da atualmente dominante, no sentido de produzir mudanças políticas, científicas, filosóficas e práticas cotidianas.

Em sua análise, estabelece alguns pontos de partida: a) nossa ideia de mundo vem de nossa cognição; b) conhecemos o mundo segundo nossa estrutura; c) esta estrutura cognitiva implica um determinado modo de elaborar o que foi percebido; d) os resultados dessa elaboração orientam nossas ações; e) tais ações têm conseqüências éticas; f) logo, para mudá-las, é preciso modificar nossas idéias sobre a cognição, o que, por sua vez, alteraria a nossa estrutura cognitiva.

Observando o mundo que nos rodeia, ele constata o fenômeno da McDonaldização da sociedade. O que significa? Condicionamento à pressa, ao imediatismo, ao desejo da saciedade instantânea e, principalmente, à padronização dos movimentos e do consumo. Nesse sentido, o indivíduo se defronta com um mundo pronto, acabado, igual para todos. Esse fato, segundo Humberto Mariotti, impede o ser humano de pensar, de refletir. Em outras palavras, a sociedade condicionando-o a uma estrutura globalizante e alienante, rouba-lhe a estrutura própria. Se pensar diferente é "excêntrico", "subjetivo", posto à margem da sociedade.

Se o mundo é igual para todos, para que refletir, para que pensar? Esta é a situação marcante de uma sociedade que prega o consumo de massa, especialmente, através da mídia televisiva. Manipulando o pensamento, produz uma sociedade conformada, que simplesmente atende à ordenação do emissor, aquele que diz o que é e o que não é importante. Observe, por exemplo, o trabalho dos marqueteiros políticos: eles conseguem transformar a postura de um candidato, fazendo-o parecer um "salvador da pátria" diante do público.

Ao nos depararmos com este texto, lembramo-nos de um eminente filósofo brasileiro, Mário Ferreira dos Santos que, na década de 50, desenvolveu um método próprio para aprender e ensinar filosofia, contrariando todos os que o desestimulavam. Dizia que todo o homem deve viver e morrer como um guerreiro. O ser guerreiro, aqui, é lutar contra o "status quo" estabelecido, no sentido de primeiro nos alertarmos, e depois todos aqueles que estiverem ao nosso derredor.

O pensamento de Mariotti, embora com outra roupagem, leva-nos ao conhece-te a ti mesmo de Sócrates, quando este nos diz que uma vida sem reflexão não merece ser vivida. Neste artigo, o autor explicita que a "reflexão confere à consciência a dimensão humana".

Fonte de Consulta

MARIOTTI, Humberto. Cognição, Sociedade e o Novo Autoritarismo: Uma Análise de Algumas Abordagens Científicas e suas Conseqüências Éticas. Eccos Revista Científica, São Paulo: Centro Universitário Nove de Julho, v. 2, n.º 1, p. 27-43, junho de 2000.

São Paulo, 24/07/2002

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