27 junho 2008

Anotações sobre os Números

Os números governam o mundo. Eles podem ser vistos pelo valor numérico, ou seja, um, dois, três, quatro etc. ou pelo valor simbólico, usado muitas vezes pela religião. Façamos algumas anotações sobre os números: zero, um, dois, três e quatro.

O zero. O zero indica a nulidade, a ausência de entidade. Contudo, essa nulidade é rica de possibilidades e de promessas. A noção do "nada" preocupou muitos filósofos. Para Hegel, "A identidade do ser e do não ser é a mola que impele todo o movimento dialético". Para Jasper, "O nada, na medida em que é experimentado, é uma cifra do ser". Ainda: No Absoluto, o Grande Todo se confunde com o Grande Nada porque nele nada é diferenciado.

O um. Segundo Littré, a definição do "número" é: "A unidade, uma série de unidades, as partes da unidade". A unidade assinala a individualidade, a particularidade, a distinção de uma entidade. Leibniz, por exemplo, afirmava que o um era a mônada - o absoluto é Deus. A busca da unidade que vigorava na antiguidade, principalmente na filosofia taoísta, inspirou muito os filósofos, os psicólogos e os cientistas da nossa época.

O dois. A existência procede do zero e do um. O um se deduziu do zero. O um e o zero constituem a primeira dualidade, ou seja, eles são dois. Com o dois surge a diferenciação, a dialética. Observe o dualismo: dia e noite; calor e frio; seco e molhado; positivo e negativo. Lembremo-nos também dos adágios franceses: nenhuma rosa sem espinhos; nenhuma virtude sem cansaço; nenhum vício sem suplício; nenhum prazer sem desgosto; nenhum verso sem reverso.

O três. Levado ao extremo, o pensamento binário chega ao paradoxo como no maniqueísmo, em que o princípio do bem se opõe ao princípio do mal. Hegel aproveitou esse paradoxo e edificou a sua dialética do pensamento. Para ele, tudo começa por uma tese (um). Da tese aparece a antítese (dois). O resultado desse antagonismo é a síntese (três). As religiões, de um modo geral, atribuíram um tríplice aspecto à divindade. Observe: Osíris, Ísis e Hórus, do Egito; o Pai, o Filho e o Espírito, no cristianismo; Sol, Lua e Terra nas religiões naturalistas.

O quatro. O quatro se deduz do 2 e do 3. Na Antiguidade, os quatro elementos básicos: fogo, ar, água e terra. Simbolicamente, pode-se dizer que o Fogo é o espírito, o Ar é a alma, a Água é o intelecto e a Terra é o corpo. Observe, também, o quaternário de alguns sistemas filosófico-religiosos: SABER, QUERER, OUSAR, CALAR. 

Fonte de Consulta 

CHABOCHE, François-Xavier. Vida e Mistério dos Números. Tradução de Luiz Carlos Teixeira de Freitas. São Paulo: Hemus, s.d.p.

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