24 setembro 2006

Universo e Filosofia

O Universo é tudo o que existe no espaço infinito: planetas, estrelas, galáxias, seres animados e inanimados, fluidos. A compreensão do universo está intimamente relacionado com a filosofia de vida de cada pessoa. Nesse sentido, quanto mais conhecermos o mundo que nos cerca, mais ampliaremos a nossa concepção de vida. 

Os grandes pensadores da humanidade não se preocuparam muito em explicar se o universo é limitado ou infinito, se é ou não eterno, se teve ou não um começo como Deus. Buda, por exemplo, limitou-se a ensinar o que é a dor e os caminhos para suprimi-la do ser humano. Confúcio dizia que primeiro de tudo deveríamos conhecer os homens e auxiliá-los. Sócrates achava que há uma harmonia incomensurável no universo e, para compreendê-la, basta somente conhecer a nós mesmos. Jesus fala-nos das várias moradas, porém enfatiza-nos a amar ao próximo como a nós mesmos. 

A dádiva do livre-arbítrio muda tudo . Ao invés de assimilarmos as lições desses grandes mestres, insistimos em fazer a nossa caminhada através da dor, cometendo os maiores deslizes com relação às leis naturais. Assim, não somos suficientemente humildes para aceitar o nosso nível de limitação, e, querendo sempre mais, criamos confusões em nossa mente e na daqueles que nos ouvem. Se não prestarmos a atenção, poderemos destruir o Planeta que nos serve de morada, em virtude da maciça alocação de recursos para a construção de armas nucleares. 

Escolhendo um determinado caminho, sempre teremos explicações que o satisfaçam. Assim sendo, aceitando o monismo ou o dualismo, o materialismo ou espiritualismo, o ateísmo ou o panteísmo, encontraremos diversos argumentos que os sustentam. E mesmo que esses argumentos não se aclimatem em nossa consciência, a força intrínseca deles, faz-nos aceitá-los como argumento de razão, de modo que o nosso pensamento se acomoda e ficamos satisfeitos conosco mesmos.

Lembremo-nos de que a tarefa do filosofar é distinguir a filosofia dos filósofos da Filosofia. A Filosofia é um questionar constante, um exercício mental em que estamos sempre procurando a verdade, entendida como um processo ativo e dinâmico de obter novos conhecimentos. A filosofia dos filósofos, por outro lado, é a representação das ideias desses pensadores, seres humanos falíveis como todos nós, e, portanto, sujeitos às limitações de seu próprio pensar. Muitas vezes, enveredando por um determinado fluxo de ideias, os filósofos acabam por criar o dogma, elemento que mais a Filosofia combate. 

Olhemos o Universo sem ideias preconcebidas. Tomemos cada situação, cada encontro, cada conversação como se fosse o acontecimento mais importante naquele momento. Criando este hábito, onde quer que estejamos, estaremos sempre aproveitando melhor a nossa existência.

São Paulo, 27/04/2001

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