08 setembro 2006

Seguir o Objeto

O objeto deve ser entendido como um propósito lídimo e altruísta. Envolve o grau máximo de impessoalidade na ação executada. É aquela atividade que não visa interesses pessoais nem de grupos específicos, mas atém-se, exclusivamente, na obtenção do bem comum.

Todos os grandes homens da história tiveram que alçar vôo através das oposições que enfrentaram. Nesse sentido, as idéias contrárias são extremamente úteis para o nosso crescimento moral e intelectual, pois mesmo nos trazendo problemas, desgastes e preocupações, elas obrigam os nossos opositores a pensar sobre o assunto. Por isso, convém, depois de expor alguma idéia nova, esperar que a mesma possa medrar naturalmente na mente daqueles que estão envolvidas com o assunto.

Ao seguir o objeto, que é o dever proposto por nós mesmos, convém nos lembrarmos dos mártires da fé, daquelas pessoas que longe da luta heróica das grandes batalhas da guerra ou das discussões calorosas da ciência, ficam presas ao sofrimento, à inquietude e aos perigos da inutilidade de sua vida. Quantos não foram os homens que, para serem fiéis à sua própria consciência, não passam fome, frio e sede, parecendo seres estranhos à pessoas de sucesso.

Quando seguimos o objeto, precisamos distinguir “quem” do “que”. “Quem” refere-se à pessoa; implica em personalismo, vaidade, orgulho e egoísmo. “Que” refere-se à coisa, ao fato em si; implica em produção desinteressada. Agindo com a mente altruísta na busca da transcendência do espírito, estaremos nos libertando dos grilhões da matéria, do personalismo e introduzindo-nos no todo da vida, na vontade divina, nos anseios de Jesus para com a libertação de toda a raça humana.

Quando seguimos o objeto, algo se nos depara de imediato: um insight do conjunto. Vemos, de relance, todo o desenrolar de um fato, ainda não realizado. O sofrimento fez-nos distanciar do mundo material e engolfar na verticalidade do espírito, propiciando-nos as luzes do entendimento, o que não seríamos capazes de obter, caso permanecêssemos na superficialidade do sucesso aparente. É o fato social tomando uma dimensão cósmica.

Aceitemos os fatos tais quais são. Se o acaso não existe, é preciso refletir favoravelmente sobre o próprio acontecimento, seja bom ou ruim. Sigamos o fluxo de nosso pensamento, criando as condições necessárias para bem administrá-lo.
São Paulo, 8/10/2003

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