08 setembro 2006

Princípio Único

De acordo com o Taoísmo, a palavra Tao, que significa Deus, não pode ser definida, mas conhecida. Tao quer dizer “como”, como as coisas acontecem, como elas funcionam. Tao (Deus) é o princípio único. Conhecer a Deus é conhecer o princípio único. A criação é um processo que, embora seja distinto do princípio único, dele não pode ser separado. Pode-se dizer que o princípio único é uma espécie de atitude, de postura assumida frente à vida, junto ao próximo e com relação a todas as coisas.

A pessoa que tem em mente o princípio único, age em função do seu centro. Ele fixa metas, deveres e trabalhos de acordo com o seu “eu” interno. Não faz as coisas para agradar ao superior ou mesmo pisotear o inferior. Também não age de acordo com os interesses próprios. Forja de tal maneira a sua alma num objetivo único e não se desvia dele por qualquer contratempo do caminho, sofrendo por isso toda a sorte de contrariedades. Sabe que a dúvida, no plano externo, pode auxiliar a experimentação, mas a hesitação no plano íntimo é dissolvente de nossas melhores energias.

O princípio único deve ser captado através da meditação e da tomada de consciência. Para tanto, devemos nos manter abertos ao que estiver acontecendo aqui e agora. Questão: o que está acontecendo com o grupo quando nada acontece? Este é o campo de ação do grupo. O processo de meditação mostra-nos que só o fato de tomarmos consciência do que está acontecendo, leva-nos para a boa condução do grupo. Se surgirem problemas, eles se resolverão pela tomada de consciência e não pela atuação do nosso personalismo.

O preconceito é um entrave à percepção do princípio único. Por que? O preconceituoso é um indivíduo que forma antecipadamente um sistema de valores e atua segundo ele. Como o faz previamente, quer que tudo se ajuste ao seu modo de pensar. Acontece que as coisas são o que são; não podemos mudá-las a nosso bel prazer. A verdade não pode ser contestada; ela deve ser intuída. Assim, o líder judicioso não exige que as coisas aconteçam deste ou daquele jeito, mas mantém sua mente aberta para o que estiver acontecendo, quer seja agradável ou não.

Meditemos, também, sobre o paradoxo da renúncia. Renunciando ao que somos, tornamo-nos o que poderíamos ser. Renunciando ao que temos, recebemos o de que precisamos. Ao ceder, resistimos. A linha da polaridade é científica: se alguém exagera em se tornar famoso, acaba por ser desprezado; a preocupação de se embelezar torna feia uma pessoa. Aceitando-nos tal qual somos, promovemo-nos para a realização de nossa plenitude, que é o fornecimento da seiva da vida a todos os viajantes desse planeta de provas e expiações.

Fixemos nosso olhar em Deus. Não permitamos que a dúvida, o desânimo e todas as forças contrárias ao bem nos distanciem de tarefa que temos de realizar.
São Paulo, 23/10/2004

Nenhum comentário: