08 setembro 2006

Preconceito e Verdade

Preconceito - do latim prae + conceptum = concebido antes. É a fixação de um juízo anterior à análise objetiva da realidade, atingindo, desfavoravelmente, pessoas, idéias, instituições ou objetos. Entre os preconceitos mais censuráveis se encontram os que concernem à raça e à religião. Os preconceitos são característicos dos indivíduos de mentalidade estreita, incapazes de uma análise serena e desapaixonada da realidade.

Vivemos envoltos com inúmeras crenças. Algumas de caráter científico, tal qual a de que a Terra gira ao redor do Sol. Porém, a maioria delas, é o resultado da tradição e da autoridade. Neste sentido, o filósofo Husserl fala-nos de uma "tese geral', ou seja, de uma compreensão implícita do mundo, que caracteriza o comportamento dogmático das criaturas. São atitudes humanas voltadas para a ação e o fazer técnico. É o mundo das sombras expresso por Platão na alegoria do "Mito da Caverna".

O progresso é uma lei natural. Cedo ou tarde teremos de romper com as posições cristalizadas do nosso comportamento. A transformação pode se dar: a) de forma natural, quando nos defrontarmos com as crenças antagônicas e tivermos que tomar nova decisão; b) pelo próprio esforço, quando tomarmos consciência da necessidade de nossa modificação interior. É o princípio da problematização fornecendo as diretrizes para a aquisição do conhecimento.

A descoberta da verdade é impedida, muito mais pelo preconceito, do que pela falsa aparência que as coisas apresentam, e que podem induzir-nos ao erro. O preconceito é aquela erva daninha que obscurece o curso de nosso raciocínio e impede-nos de te uma visão mais clara da realidade. É como um pseudo, a priori, que barra a caminho da verdade e empurra-nos para as sombras da ignorância.

A busca da verdade deve ser um exercício constante de nossa mente, caso queiramos eliminar os erros do preconceito. Construímos, ao longo do tempo, conceitos que, sem a devida problematização, tornaram-se dogmáticos e superficiais. Contudo, desde que nos apliquemos eficazmente, poderemos modificar a estrutura básica do nosso proceder e concomitantemente obter bom êxito na apreensão mais profunda da realidade que nos absorve.

"Atitudes repetidas" convertem-se em "hábitos". O hábito é um sexto sentido. Dessa forma, o que a princípio parecia difícil torna-se, pelo esforço constante, fácil. A verdade se nos apresenta de modo intuitivo e direto sem as peripécias do raciocínio discursivo.

Fonte de Consulta

BORNHEIM, G. A. Introdução ao Filosofar - O Pensamento em Bases Existenciais. 7. ed., Rio de Janeiro, Globo, 1986.
GOMES, L. C. Antologia Filosófica. São Paulo, Livros Horizontes, 1983.
São Paulo, 28/04/1994

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