24 setembro 2006

Platão e Aristóteles

Aristóteles (384-322 a.C.) foi discípulo de Platão (427-347 a.C.), que foi discípulo de Sócrates (470 a 401 a.C.). Eles fazem parte do período clássico da Filosofia grega da Antiguidade. Aristóteles frequentou por 20 anos a Academia de Platão. Enquanto aluno, respeitava o seu mestre, porém divergia muito das suas ideias, afirmando, inclusive, que era amigo de Platão, mas muito mais da verdade. Pergunta-se: no que divergiam?

A divergência entre Platão e Aristóteles estava centrada na construção do conhecimento. Platão – idealista – acreditava que as ideias provinham de um outro mundo, o mundo das essências, denominado topus uranus. Aristóteles – realista – acreditava que as ideias provinham das sensações ou do mundo circundante do aqui e do agora. Aristóteles achava que o ser humano não devia ficar preocupado com a contemplação do mundo das idéias, mas viver intensamente o momento presente. 

A percepção do conhecimento implicava modos diferentes de analisar as questões: Poder-se-ia vê-las pelo lado sensível ou pela contemplação. Tomemos como exemplo a felicidade. Segundo Platão, a felicidade diz respeito a uma vida futura, àquilo que o indivíduo poderia esperar pelo que fez de bom ou de ruim nesta vida; Aristóteles, ao contrário, achava que a felicidade era o bem supremo do homem, pois todo o ser humano que alcançasse o fim pelo qual foi criado atingiria esse estado de felicidade.  

Sobre a relação ensino-aprendizagem. Platão achava que o indivíduo já trazia no seu subconsciente o conhecimento adquirido em outras vidas. Cita Sócrates ensinando matemática ao escravo. As perguntas de Sócrates faziam desabrochar no escravo o conhecimento que já possuía dentro de si mesmo. Para Aristóteles, o conhecimento tem que ser formado no mundo circundante. Ele é como uma tabula rasa que deve encher a sua memória e o seu intelecto de novos conhecimentos.

De acordo com Marcelo Perine, em Quatro Lições sobre a Ética de Aristóteles, "Para Platão, a phronesis (sabedoria), mesmo quando dirige a ação, o faz elevando-se acima de si mesma, isto é, na medida em que é um conhecimento transcendente adquirido na contemplação da Ideia do Bem. A phronesis aristotélica, ao contrário, não é uma ciência contemplativa, mas sabedoria prática que dirige imediatamente a ação pelo conhecimento do singular e dos meios. Porém, essa sabedoria prática é verdadeira e, portanto, normativa, pois conhece universalmente o fim da vida humana, ‘fim que, seguramente, não é o bem-em-si de Platão, mas a contemplação do Deus da Metafísica’". 

Platão descortina-nos a contemplação de uma vida futura; Aristóteles chama-nos a atenção para viver o aqui e o agora. Cabe-nos, assim, fazermos uma síntese das duas concepções para que tenhamos uma vivência plena de sabedoria.


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