07 setembro 2006

Pensamento e Mudança Social

Por onde começa um pensamento? por um sentimento? Por uma situação? Por interferências ocultas? Não o sabemos ao certo. Contudo, ele se nos apresenta e permanece conosco durante algum tempo. Assim, mesmo conhecendo a sua origem, podemos supor três fases de seu desenvolvimento: 1.ª) o mundo afeta o nosso pensamento; 2.ª) o mundo e os nossos sentimentos afetam o nosso pensamento; 3.ª) somos levados à prática de uma ação, que embora pessoal, não deixa de ter repercussão no social.

Estarmos envoltos com pensamentos é pressupormos mudança, quer seja para melhor ou para pior. Se escolhermos aqueles pensamentos que tendam para o bem, o resultado será uma boa ação; se escolhermos os pensamentos que tendam para o mal, o resultado será uma má ação. Em outras palavras, quando formos inseridos numa determinada circunstância, teremos inevitavelmente uma experiência, a qual será um requisito básico para a próxima circunstância. Mudamo-nos sem o percebermos.

Quando nos mudamos, o mundo também muda. Cometemos um grande erro se, depois de nos modificarmos em certo aspecto, acharmos que o mundo não mudou. Observe o campo do relacionamento humano em que, depois de passados longos períodos de tempo, o ofensor e o ofendido já não mais se digladiam: o tempo os modificou. Por isso, o cuidado de não nos chafurdarmos na situação presente, pois ainda não somos capazes de perceber a amplitude dos efeitos educacionais que os sofrimentos atuais engendram em nossa alma enfermiça. Quem sabe não estamos sendo lapidados em nosso orgulho e em nossa vaidade?

Um mesmo estímulo pode gerar respostas diferentes. Tomemos como exemplo a faca e a pedra. Se batermos a pedra na faca, estragaremos o seu corte; se, ao contrário, pegarmos essa mesma pedra e passarmos levemente em seu corte, teremos uma faca afiada. Quer dizer, a pedra é a mesma, o que modificou foi o uso que dela fizemos. Semelhantemente são as nossas palavras: dependendo do modo como as proferimos, podemos levantar as almas às alturas celestes ou rebaixá-las às profundidades do pântano.

Quando sentimos e pensamos somos seres aptos a transformar a sociedade. Karl Marx, filósofo materialista, falava que até aquele momento (sua vinda a este Planeta) os filósofos não haviam mais do que exercitado o pensamento. A partir daquela data, deveríamos passar à ação, no sentido de transformar a sociedade. Preconizou, assim, baseado nos estudos históricos, transformar o capitalismo em socialismo, onde se alcançaria a igualdade entre todos os seres humanos.

O nosso pensamento não tem limites: o temor e o amor convivem conosco diuturnamente. Cabe-nos, assim, administrá-lo conveniente para que não descambe nem para o pessimismo exagerado nem para o otimismo irreal.

São Paulo, 15/05/2000

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