09 setembro 2006

Involuído e Evolvido

Pietro Ubaldi, filósofo italiano, escreveu diversos livros de cunho espiritual. Dentre as suas obras, a que mais se destacou foi a Grande Síntese. A linha mestra do seu pensamento baseia-se na oposição entre o homem involuído e o homem evolvido. Tencionamos, nessas linhas que se seguem, fazer uma reflexão sobre essa dinâmica do pensamento humano no sentido de extrair subsídios para uma mudança comportamental.

O par de termo involuído/evolvido nos dá idéia da dimensão espiritual do ser humano. O involuído caracteriza o homem ainda envolto com o mal, com o ódio e com a guerra. O evolvido especifica o homem no esforço da grande batalha, que é a prática do bem, do amor e da justiça. Essa dicotomia é importante, porque não podemos ficar no meio termo: somos justos ou não somos. É a questão da formação do caráter que nos diz que devemos agir sempre da mesma maneira nas mesmas circunstâncias.

O involuído está preso ao mal. Procura através da força, da guerra eliminar o mal que lhe tenham causado. Na realidade combate um mal com outro maior. Observe o Estado aplicando a pena de morte naquelas pessoas que cometeram crimes hediondos. Isso não leva a nada, pois a consequência é um nível maior de violência, visto que o fogo não se apaga com mais fogo, mas com água. O perdão é o único elemento que verdadeiramente elimina o mal. Sem ele, a humanidade está moralmente perdida.

Por que o perdão é o elemento fundamental da evolução do ser humano? Raciocinemos em termos da lei natural. De acordo com as instruções dos Espíritos superiores, a lei natural está gravada na consciência de cada um dos seres humanos. Ora, nós não precisamos usar a força contra aquele que nos causou dano, quer seja material ou moral; basta deixarmos tudo por contar dessa lei natural, que ela se encarregará de aplicar a justiça. O perdão não é apanágio das almas fracas; é a força dos grandes homens que acreditam em Deus e na sua justiça através do cumprimento de seus mandamentos.

A libertação do Espírito deve se basear na prática das virtudes. De nada adianta, após termos sofrido um mal, agravá-lo ainda mais com o nosso destempero emocional. É factível pensar que, se estamos encarnados neste mundo de provas e expiações, não somos seres angelicais. Contudo, nada nos impede de envidar todos os esforços possíveis para colocar em prática os estímulos amorosos enviados pelos nossos benfeitores espirituais. Basta apenas que tenhamos olhos de ver e ouvidos de ouvir, tal como nos orienta a mensagem evangélica de Jesus. 

Por pior a situação em que nos encontramos, devemos sempre serenar o nosso pensamento. Lembremo-nos de que as coisas nunca são como a nossa imaginação as pinta. É preciso muito tato para que, depois de ter feito a vontade de Deus, aceitar as injunções do destino.

 São Paulo, 12/02/2003

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