09 setembro 2006

Descartes e a Filosofia Moderna

As ideias desenvolvidas por Aristóteles (384-322 a.C.) influenciaram as especulações filosófico-religiosas da Idade Média. Esse período, denominado de Escolástica, retratava a dependência da Filosofia à Religião. Exercitava-se o intelecto, baseando-se nas regras do silogismo. Procuravam explicar logicamente o cristianismo, lutando por excluir o espírito místico do pensamento até então. A finalidade maior era conciliar fé com razão.

René Descartes (1596-1650) insatisfeito com as informações adquiridas dos mestres e dos livros, faz tábua rasa, e, constrói o seu próprio método de obtenção do conhecimento. O verdadeiro ponto de partida da Filosofia cartesiana é a matemática, visto oferecer evidência e certeza. Os princípios incondicionados desta ciência, permite a Descartes romper com o modelo de pensamento estabelecido pela Escolástica.

Para Descartes, a Filosofia depende da matemática. O fato dá origem a uma ideia fundamental: a verdadeira filosofia deve ser um tratado do método. Estabelece, assim, suas quatro célebres regras: 1) não admitir verdadeira coisa alguma que não se saiba com evidência que o é; 2) dividir cada dificuldade em quantas partes seja possível e em quantas requeira sua melhor solução; 3) conduzir ordenadamente os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e fáceis de conhecer, para ascender, gradualmente, aos mais compostos; 4) fazer uma recontagem tão integral e razões tão gerais, que se chegue a estar certo de não omitir nada.

Seu método inclui a dúvida metódica. Como se explica? Parte do conhecimento centrado em si mesmo. Dizia: “Cogito ergo sum”, penso, logo existo. Mas o cogito, ao evidenciar a existência de quem pensa, permite estabelecer o seguinte raciocínio: se eu existo, sei que sou finito. Porém, a idéia do finito implica ao mesmo tempo a do infinito. Para Descartes, o infinito é Deus. Descobre Deus pela sua própria razão e não vindo de fora como o Deus de Platão e dos escolásticos.

As regras do seu método, o estabelecimento da dúvida, o conhecimento centrado na razão e o conceito de subjetividade transcendental influenciaram o pensamento filosófico posterior, tendo Spinoza, Malebranche, Leibniz e Kant como seus maiores seguidores. Hoje, a metafísica, traz em seu bojo, as influências cartesianas, quando muda o enfoque dado ao ser para o sujeito.

A Filosofia, ao contrário da ciência, pertence a uma história. Não resta dúvida que Descartes foi um dos grandes construtores dessa História da Filosofia. Estudemo-lo, assim, com mais ardor. 

São Paulo, 01/10/1993

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